Soldados patrulham a capital, após tomar o poder
Soldados patrulham a capital, após tomar o poder

Líder dos golpistas em Mali promete devolver poder em até nove meses

Capitão Amadu Haya Sanogo também manifestou que não é filiado a nenhum partido político

Efe,

23 Março 2012 | 08h12

MALI - O capitão Amadu Haya Sanogo, líder do grupo militar que depôs o presidente malinês, Amadu Tumani Turé, afirmou que devolverá o poder em até nove meses, ao término de sua "missão".

 

Em declarações à rede de televisão privada "Africable", Sanogo indicou que conta com a confiança das Forças Armadas.

 

"Devolverei o poder em três, seis ou nove meses, depois da minha missão. Tenho ministros comigo e relações com os membros da comunidade internacional", indicou o chefe da Junta Militar.

Sonogo, que já se apresenta como o novo presidente de Mali, insistiu em rejeitar a qualificação de golpista e assinalou que conta com a confiança de todas as Forças Armadas e de segurança, "sem exceção".

"Somos soldados com consciência da realidade e assumimos o risco de agir. Não matamos ninguém. O que é certo, é que no momento oportuno cada um responderá por seus atos perante uma jurisdição competente", disse, sem dar mais explicações.

O líder golpista também manifestou que não é filiado a nenhum partido político nem responde a algum deles.

"Não pertenço a nenhum partido político. Jamais votei em minha vida. Meu objetivo é que Mali tenha um Exército competitivo, equipado, profissional. Um país que tenha calma e viva do perdão e da paz", acrescentou.

Por outro lado, Sanogo não ofereceu nenhum dado sobre o programa político nem ofereceu nenhuma novidade sobre o paradeiro do presidente deposto.

Na quinta-feira, os golpistas justificaram sua ação com o argumento de que Turé mostrara-se incapaz de solucionar a crise no norte do país e o culparam por não ter dotado o Exército dos recursos necessários para fazer frente à rebelião separatista tuaregue e às organizações vinculadas à Al Qaeda.

Desde meados de janeiro, os tuaregues do denominado Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MNLA) mantêm uma guerra aberta com o Exército malinês, que sofreu dezenas de baixas e teve muitos de seus soldados capturados pelos separatistas.

O MNLA reivindica a independência de Azawad, uma ampla região de 850 mil quilômetros quadrados. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.