Líder dos rebeldes tinha sido dado como morto

Movsar Barayev, o líder dos rebeldes chechenos que invadiram na quarta-feira um teatro de Moscou fazendo centenas de reféns, havia sido dado como oficialmente morto pelo Serviço de Segurança Federal russo (FSB) uma semana antes. "Barayev, de 23 anos, morreu em combate", informara o FSB com base em comunicado do Comando do Cáucaso - divisão do Exército estacionada na Chechênia."Como habitualmente ocorre, a propaganda militar russa difundiu notícias falsas", comentou um político russo que tentou negociar a libertação dos reféns com Barayev. Ele era o único dos guerrilheiros no interior do teatro a mostrar o rosto para as câmeras de televisão. Aparentando frieza, vestindo uniforme de camuflagem, boina preta e carregando um fuzil AK-47, ele se deixou filmar na cozinha do teatro.Barayev seguiu passos do tioEsse rebelde de 23 anos pertencia a uma geração de jovens chechenos criados na guerra e no crime. Em junho de 2001, herdou de seu tio e comandante guerrilheiro Arbi Barayev o comando do Regimento Islâmico de Assuntos Especiais. Naquele mês, Arbi Barayev, temido até pelos companheiros por sua crueldade, acabou caindo numa armadilha do FSB e morreu. Entre as 18 mulheres camicases mortas pelas forças especiais russas no teatro de Moscou estava a viúva de Arbi Barayev.Durante décadas, Arbi comandou, com outros senhores da guerra a luta contra os russos, organizando seqüestros e atentados. Esteve também envolvido em tráfico de escravos e é acusado de ter degolado quatro reféns em 1998 - três britânicos e um neozelandês. O caráter de Movsar Barayev foi forjado nesse cenário. Autoridades militares dizem ter em seu poder um vídeo que mostra Movsar degolando uma mulher acusada de ser informante de Moscou.Tudo por dinheiroSegundo o diário russo Krasnaya Zveda, o jovem Barayev recebeu os primeiros treinamentos militares do chamado "comandante Khattab", um chefe guerrilheiro jordaniano morto por soldados russos em abril. Costumava cobrar "dízimos" dos empresários chechenos como contribuição para financiar a "guerra santa" contra a Rússia."Movsar Barayev faz qualquer coisa por dinheiro", acusou recentemente o governo checheno, leal ao Kremlin. Em junho, ele teria assassinado um chefe guerrilheiro, Risvan Akhmadov, cuja cabeça fora posta a prêmio por US$ 45 mil por grupos separatistas chechenos rivais. "Por uma grande soma em dinheiro ele mata até o comandante mais respeitado", insistiram as autoridades de Grozny.Apesar da pouca idade, Movsar Barayev era apresentado como importante chefe militar pelo Kavkas-Zentr, órgão informativo da ala radical do movimento que luta pela independência da Chechênia - pequena república muçulmana anexada ao território russo no século 18.

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