Líder egípcio negocia com juízes fim da crise

Morsi diz aos magistrados que a ampliação de poderes que ele se impôs na quinta-feira será aplicada apenas às questões sobre 'soberania'

CAIRO, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2012 | 02h06

Em uma tentativa de pôr um fim à crise política iniciada no Egito pelo decreto que baixou na semana passada ampliando seus poderes, o presidente Mohamed Morsi reuniu-se ontem com os mais importantes juízes do país. O líder afirmou aos magistrados que a medida imposta na quinta-feira está de acordo com seus direitos, mas apenas questões relativas à "soberania" não estarão sujeitas à fiscalização do Judiciário.

Segundo o porta-voz da presidência, Yasser Ali, Morsi declarou aos magistrados que seu decreto não "infringe" a legislação egípcia ou a competência do Judiciário - cujo poder de fiscalização sobre o Executivo foi suspenso pela medida.

Antes da reunião, o Conselho Judicial Supremo sugerira que um meio-termo pudesse ser alcançado, declarando que "questões de soberania" poderiam ser submetidas apenas a Morsi. Essa foi a saída encontrada pelas partes, mas não ficou claro como essa restrição ao poder presidencial será fiscalizada.

Os manifestantes que protestam no centro do Cairo contra a medida - alguns acampados da Praça Tahrir desde quinta-feira - afirmam que não recuarão enquanto o decreto não for completamente cancelado.

"Nossa decisão é continuar na praça. Não sairemos antes que essa declaração seja derrubada", disse Hamdeen Sabahi, político de esquerda, líder do movimento Corrente Popular e ex-candidato a presidente, afirmando que o protesto representa um "Egito que não aceitará um novo ditador, pois já derrubou o antigo".

Vários outros líderes políticos juntaram-se às manifestações, que ocorreram em diversas cidades e cuja repressão do governo havia deixado quase 450 feridos até ontem - dos quais ao menos 49 permaneciam internados, segundo o Ministério da Saúde.

Milhares de moradores de Damanhur, cerca de 150 quilômetros ao norte do Cairo, protestaram ontem durante o funeral de Islam Abdel-Maksoud, de 15 anos, morto no domingo enquanto manifestantes anti-Morsi tentavam invadir os escritórios locais da Irmandade Muçulmana - grupo fundamentalista islâmico que forma a base política do presidente.

Na capital, cerca de 10 mil pessoas marcharam ontem contra a morte de Gaber Salah, de 16 anos, que no domingo não resistiu a ferimentos na cabeça durante um protesto contra a Irmandade Muçulmana.

Com a intenção de "evitar um derramamento de sangue", o grupo fundamentalista islâmico suspendeu um "contraprotesto" que estava organizando para hoje na Praça Tahrir, para se opor a uma manifestação organizada no mesmo dia pelos grupos insatisfeitos com os novos poderes do presidente Morsi. / REUTERS e AP

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