Líder eleito no Irã faz aceno aos EUA, mas não abre mão de plano nuclear

Em sua primeira entrevista coletiva depois de ter sido eleito presidente do Irã, Hassan Rohani disse ontem que pretende melhorar as relações de seu país com os EUA, mas não à custa do programa nuclear iraniano.

TEERÃ, O Estado de S.Paulo

18 Junho 2013 | 02h13

Argumentando que os 34 anos de congelamento das relações diplomáticas entre Washington e Teerã são "uma ferida que precisa ser tratada", Rohani delineou algumas precondições para dar início ao que chamou de "diálogo construtivo".

"Antes de mais nada, os EUA devem respeitar os Acordos de Argel e não interferir nos assuntos internos do Irã. Os americanos têm de reconhecer nossos direitos nucleares e abandonar as medidas intimidatórias contra o Irã", afirmou Rohani. "Assim, se eles tiverem boas intenções, a situação mudará."

O novo presidente iraniano também disse que as relações entre os EUA e o Irã são "complexas e difíceis", acrescentando que uma eventual reaproximação "deve ter como base o respeito mútuo e uma conversa de igual para igual".

Falando com jornalistas no Centro de Estudos Estratégicos, um instituto especializado em relações internacionais, do qual é diretor, Rohani ofereceu uma prévia de um governo que promete ser radicalmente diferente do que tem sido o de seu controvertido predecessor, o atual presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Rohani, que é clérigo, venceu de maneira surpreendente as eleições realizadas na sexta-feira, depois de uma campanha na qual se comprometeu a promover a retomada do crescimento econômico e a recuperar a reputação internacional do Irã.

No domingo, Rohani disse ter começado a formatar suas políticas governamentais, reunindo-se com Ali Larijani, líder da maioria conservadora do Parlamento do país, para falar sobre as dificuldades econômicas e as condições de vida dos iranianos.

O novo líder foi eleito sem a necessidade da realização de um segundo turno, uma vez que recebeu mais da metade dos votos (50,7%) já na primeira votação.

Rohani, que é considerado um moderado e contou com o apoio do movimento reformista desmobilizado pela vitória de Ahmadinejad na eleição de 2005, não recuou em relação ao controvertido programa nuclear do Irã, embora tenha manifestado a esperança de ampliar as negociações e interações do Irã com o restante do mundo.

O Irã não tem a intenção de interromper seu programa de enriquecimento de urânio, afirmou Rohani, e acrescentou: "Essa é uma questão encerrada". Mas o presidente eleito também disse esperar que, em seu governo, as negociações com o grupo de países conhecido como P5+1 se tornem "mais ativas".

Rohani falou ainda sobre o conflito na Síria, criticando a decisão de armar grupos rebeles, que os EUA e outros países tomaram recentemente. Também não deu sinal de que, sob seu comando, o Irã venha a recuar no apoio ao governo do presidente sírio, Bashar Assad.

"A instância decisória final da Síria é o próprio povo sírio", declarou. "É claro que somos contra o terrorismo e a intervenção estrangeira. Esperamos que, com a ajuda de todos os países, a paz retorne à Síria." / THE WASHINGTON POST e THE NEW YORK TIMES

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