Líder em Oaxaca diz que rebelião se espalhará pelo país

Flavio Sosa é incrivelmente relaxado para um homem procurado. Como o líder mais visível de um movimento esquerdista que tem agitado a administração do presidente Vicent Fox e desafiado centenas de policiais federais e estaduais, ele tem mandados de prisão em seu nome por baderna e acusações de conspiração. Ele também recebeu ameaças de morte, o que não é uma pequena preocupação em uma cidade que teve pelo menos nove assassinatos políticos desde agosto, a maioria de companheiros esquerdistas de Sosa. E ele não pára de sorrir. "Não vale a pena viver minha vida com medo toda vez que saio às ruas", disse ele. "Este movimento é lindo. Estou orgulhoso de fazer parte dele". Ex-trabalhador migrante, Sosa é um dos fundadores da Assembléia Popular de Oaxaca, uma frente esquerdista que busca derrubar o governador Ulises Ruiz, acusado de corrupção. A assembléia foi formada em junho após a polícia, sob ordens de Ruiz, ter violentamente interrompido uma manifestação de professores que exigiam melhores salários. A assembléia acusa Ruiz de fraudar a eleição de 2004 para entrar no cargo e de mandar gangues de delinqüentes contra seus oponentes. Mas Sosa diz que a luta vai além disso. Ruiz, do Partido Revolucionário Institucional, é parte de uma antiga linha de políticos mexicanos que têm protegido os ricos e enterrado os pobres, argumenta ele. A efervescência de Oaxaca, diz, é o começo de uma reviravolta social parecida com a da Bolívia, que culminou na eleição do presidente Evo Morales, o primeiro político de origem indígena a liderar a nação. "Ruiz é apenas o detonador. Estamos vivendo uma transformação histórica na América Latina", disse Sosa. "Nosso movimento mostra que o México é parte do sul, como a Bolívia, não parte do norte, como os Estados Unidos". Os inimigos de Sosa, incluindo Ruiz e o procurador-geral de Oaxaca, o general Lizbeth Cana, descrevem o ativista como um "terrorista" e um "guerrilheiro urbano". Por cinco meses, o esquerdista e seus apoiadores tomaram o centro da cidade, mantendo do lado de fora a polícia estadual e afastando turistas de um dos principais destinos do México. Eles construíram barricadas, queimaram ônibus e tomaram estações de rádio para transmitir chamados para a revolução. Aposta furada Sosa disse que Fox foi a melhor aposta para acabar com os 71 anos de dominação elitista no México. Mas ele rapidamente ficou desiludido com o andamento do presidente conservador, dizendo que Fox apenas procurava homens de negócios ricos e fazia acordos com velhos investidores influentes. "Ao invés de tentar trazer a mudança real, Fox viveu com dinossauros e acabou encurralado em uma teia de cumplicidade", disse Sosa. Seus críticos o classificam como um oportunista que se alia a quem está mais forte. Um perfil de Sosa na revista mexicana Reporter Índigo o ilustra como um bandido pistoleiro que está usando o movimento de Oaxaca para obter terras. Ele ri da acusação. "Eu nem sei atirar com uma arma", disse ele. Ele também aponta que é apenas um de muitos lideres na assembléia, a qual, além de esquerdistas, conta com sindicalistas, estudantes, indígenas e grupos bairristas. "Somos todos iguais. Mas minha barba grande e grande estômago me fizeram o líder favorito da imprensa e da polícia", brinca ele.

Agencia Estado,

10 Novembro 2006 | 21h19

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.