REUTERS/Henry Romero
REUTERS/Henry Romero

Líder equatoriano defende papel de Caracas no Mercosul

Mesmo sem pertencer ao bloco, Rafael Correa, diz que presidência de organismo deve ser entregue à Venezuela

O Estado de S. Paulo

08 Agosto 2016 | 20h00

QUITO - presidente do Equador, Rafael Correa, defendeu ontem que a Venezuela assuma a presidência do Mercosul, apesar da resistência de Brasil e Paraguai. Segundo ele, o critério de transmissão do cargo por ordem alfabética deve ser mantido, mesmo que Caracas não cumpra requisitos técnicos para concluir sua adesão ao bloco. 

“Não compreendo onde está o problema. Podemos gostar ou não gostar do governo venezuelano, concordar com ele ou não, mas a presidência do Mercosul lhe corresponde por ordem alfabética”, disse o presidente equatoriano à rede de TV Telesul, financiada pela Venezuela e outros países latino-americanos. “As regras do jogo devem ser cumpridas e qualquer queixa que o Brasil tenha sobre os pré-requisitos deve ser discutida internamente. Negar a presidência é outra coisa.”

O impasse começou após o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Com José Serra à frente da chancelaria do presidente interino, Michel Temer, o Itamaraty passou a articular uma maneira de impedir que Caracas assumisse o comando do bloco. Paraguai e Argentina, com governos conservadores, se mostraram favoráveis à iniciativa. O Uruguai, governado pela Frente Ampla, do esquerdista Tabaré Vásquez, manteve a posição de que a Venezuela deveria assumir o cargo.

A ministra das Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse na sexta-feira que não permitiria que Argentina, Brasil e Paraguai “tomassem de assalto” a presidência do bloco. Brasília articula um mandato tampão compartilhado entre esses países. 

Brasil, Argentina e Paraguai voltarão a analisar a crise aberta no bloco na sexta-feira, informou o chanceler paraguaio, Eladio Loizaga. Loizaga declarou nesta segunda-feira aos jornalistas que coordenadores desses três países apresentarão na sexta-feira um inventário no qual estarão recolhidos os “complementos e descumprimentos por parte da Venezuela em sua qualidade de Estado associado”. O encontro foi marcado após reunião de Temer com os presidentes do Paraguai, Horacio Cartes, e da Argentina, Mauricio Macri. /AP

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