Líder espiritual de rede terrorista deixa prisão na Indonésia

O ulemá Abu Bakar Baasyir, suposto líder espiritual da rede terrorista Jemaah Islamiya foi libertado nesta quarta-feira, após cumprir pena de 26 meses de prisão por incitar os atentados de Bali de 2002, que causaram a morte de 202 pessoas.Baasyir foi condenado inicialmente a 30 meses de prisão. Mas sua pena foi reduzida em quatro meses por bom comportamento, apesar das pressões dos Estados Unidos e da Austrália. Com uma longa barba branca e uma vestimenta muçulmana, o líder religioso indonésio agradeceu a Alá por sua liberdade e prometeu continuar a luta para a aplicação da lei islâmica na Indonésia."Chamo todos os muçulmanos para se unirem a nós e atingir um objetivo, a implementação da Sharia (a lei islâmica). Estou convencido de que neste país, majoritariamente muçulmano, os problemas do Estado poderiam ser resolvidos assim", disse, sob aplausos de simpatizantes.Em seguida, Baasyir foi de carro que para sua cidade natal, Solo, no centro da ilha de Java. Ele será submetido a um minucioso exame médico, antes de retomar suas aulas de religião no polêmico internato islâmico que fundou.AtentadosBaasyir foi considerado culpado de incitar seus seguidores a cometer os ataques terroristas contra duas discotecas balinesas em 2002, que fizeram 202 mortos, entre eles 88 turistas australianos.Os juízes rejeitaram por falta de provas outras acusações da Promotoria, que não conseguiu associar o réu à Jemaah Islamiya, considerada o braço no Sudeste Asiático da rede Al-Qaeda.A polícia indonésia acusa a Jemaah Islamiya de organizar também os atentados contra o hotel Marriott de Jacarta (2003) e contra a Embaixada Australiana (2004), que mataram 12 e 10 pessoas, respectivamente. O grupo reivindica a autoria do atentado suicida que há sete meses matou 20 pessoas em Bali. O malaio Noordin Mohammad Top, suposto cérebro dos atentados, continua foragido. EUA e Austrália consideraram a libertação de Baasyir, conhecido por suas pregações contra o Ocidente, uma vitória dos movimentos islâmicos radicais do arquipélago. O chefe da agência de inteligência nacional indonésia, Syamsir Siregar, disse na terça-feira que espera que o religioso coopere a partir de agora com as autoridades. A Indonésia é o país com a maior comunidade muçulmana do mundo. Quase 90% de seus 240 milhões de habitantes são adeptos da religião. Mas o Islã praticado na Indonésia é moderado e a Constituição do país reconhece oficialmente seis religiões.

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