Líder exilada nega ter incitado violência em Urumqi

Rebiya Kadeer, a ''dalai-lama dos uigures'', diz que revolta foi consequência de ''injustiças''

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2009 | 00h00

Rebiya Kadeer , chamada de dalai-lama dos uigures, é a líder no exílio dessa minoria étnica da China. O governo chinês acusa Rebiya de ser "a responsável" pela violência em Urumqi. Presidente do Congresso Mundial de Uigures e da Associação Americana de Uigures, ela teria instigado pela internet os uigures em Xinjiang, exortando-os a "ser mais ousados" e "fazer alguma coisa grande", segundo o governo chinês.Rebiya é frequentemente acusada pelo governo chinês por qualquer tumulto na província dos uigures, da mesma forma que Pequim culpa o dalai-lama pelas tensões no Tibete. Em entrevista ao Estado, a carismática Rebiya defendeu-se."Estou pedindo a todos os uigures fora da China que protestem contra os maus-tratos que nosso povo sofre em Xinjiang, mas não incitei os uigures de Urumqi a protestar", disse Rebiya, uma enérgica senhora de tranças, por meio de um tradutor. Rebiya diz que a violência nasceu da revolta dos uigures contra as injustiças do governo chinês. Ela se refere em especial ao incidente em uma fábrica de brinquedos na Província de Guangdong (Cantão), que resultou no assassinato de dois uigures por chineses da etnia han e teria desencadeado os protestos em Urumqi. "O governo chinês nem sequer investigou as mortes de Guangdong." A líder uigur pede mais apoio do governo dos EUA para pressionar as autoridades chinesas. "Peço que o governo americano seja mais duro com as autoridades chinesas, que convença os chineses a iniciar negociações com os uigures."Rebiya era uma empresária de sucesso em Xinjiang, província onde se concentram os uigures, minoria muçulmana da China. Com uma infância muito pobre, ela começou a vida como lavadeira, mas se tornou uma empresária de sucesso, dona de uma trading e uma loja de departamentos, além de passar a trabalhar em obras de caridade na região. Ela chegou a ser muito prestigiada pelo PC chinês, que a indicou para ser representante da China na Conferência da ONU sobre mulheres em 1995, em Pequim. Mas tudo mudou depois que seu marido, o ex-prisioneiro político Sidik Rouzi, fugiu da China para os Estados Unidos.Rebiya começou a sofrer intimidações da polícia. Em 1999, foi presa por "revelar segredos de Estado" da China. Seu crime foi enviar para o marido nos EUA recortes de jornais locais com notícias sobre as atividades dos uigures em Xinjiang.Ela ficou na prisão até 2005. Saiu em liberdade condicional após muita pressão do governo americano. Rebiya foi para os EUA fazer tratamento de saúde e mora em Washington até hoje.Ela tem 11 filhos e 2 deles estão presos em Xinjiang há três anos. "As autoridades chinesas prenderam meus filhos como forma de retaliação contra mim, eles queriam se vingar", disse Rebiya. Segundo ela, o governo americano a está ajudando a negociar a libertação dos dois filhos.

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