Líder hondurenho pede ajuda aos EUA

Objetivo, segundo o presidente Hernández, é enfrentar violência que leva crianças a cruzar a fronteira americana de maneira ilegal

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2014 | 02h03

Países da América Central querem que o governo de Barack Obama desenvolva para a região um plano semelhante ao adotado na Colômbia no combate ao narcotráfico, com o objetivo de enfrentar a violência que tem levado milhares de crianças a cruzar a fronteira para o norte de maneira ilegal. "Os Estados Unidos também são responsáveis", disse ontem, em Washington, o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández.

Segundo ele, o Plano Colômbia e a Iniciativa Mérida, no México, ajudaram a combater o crime organizado nesses países, mas deslocaram a atuação de narcotraficantes para outros locais da América Central. Hernández ressaltou que os EUA são o maior mercado consumidor de drogas e a principal fonte de armas e recursos para os carteis que atuam na região.

Honduras, El Salvador e Guatemala são os países de origem da maioria das 57 mil crianças e adolescentes que entraram desacompanhados nos EUA desde outubro, o dobro do registrado no ano anterior. Os presidentes das três nações se reunirão hoje na Casa Branca com Obama, que se referiu à situação como uma "crise humana" e pediu US$ 3,7 bilhões ao Congresso para poder enfrentá-la.

Os recursos seriam destinados ao fortalecimento da segurança na fronteira, à expansão do número de funcionários e juízes que processam os casos dos imigrantes e à assistência médica e social.

Os dirigentes dos três países defendem a aprovação da proposta, mas afirmam que é necessário atacar os problemas que levam as crianças a fugirem de seus países e a enfrentarem uma travessia clandestina da fronteira em direção a um futuro incerto. O presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina, defendeu que o plano de ajuda aos países da América Central tenha US$ 2 bilhões, que seriam usados nas áreas de segurança, social e econômica.

Hernández, de Honduras, criticou a Iniciativa de Segurança para a América Central (Carsi, na sigla em inglês), aprovada pelos EUA em 2008. "Foi anunciada uma quantidade enorme de recursos, mas, no fim, não houve praticamente nada", declarou o presidente em evento realizado no Center for Strategic & International Studies (CSIS). Hernández criticou também o caráter bilateral da colaboração e a ausência de uma estratégia coordenada para a região.

Em conversa com jornalistas ontem, um funcionário da Casa Branca disse que foram liberados US$ 651 milhões desde 2008 no âmbito da Carsi. Segundo ele, os EUA estão dispostos a discutir a ampliação da cooperação, mas ressaltou que uma das características do Plano Colômbia foi a liderança política e financeira de Bogotá, que destinou quatro vezes mais recursos que Washington ao programa.

Votação. Molina afirmou que a proximidade com os EUA é uma fonte muito mais de debilidade do que de força para a região. "Nos anos 80, os pontos quentes de confronto da Guerra Fria estavam na América Central. Saímos disso para entrar no crime organizado transnacional", disse ele, no mesmo evento do CSIS.

O pedido de US$ 3,7 bilhões enviado por Obama ao Congresso, há pouco mais de duas semanas, foi substituído por outras propostas de valores menores elaboradas pelos parlamentares.

Na Câmara dos Representantes, dominada pela oposição republicana, o montante deve ser reduzido para algo próximo de US$ 1,5 bilhão. A maioria democrata no Senado trabalha com uma cifra de US$ 2,5 bilhões a US$ 2,7 bilhões. O Congresso tem poucos dias para votar a proposta antes do recesso de agosto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.