Khaled Desouki/AFP
Khaled Desouki/AFP

Líder iemenita está no poder há 33 anos

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2011 | 00h00

Antes de Abdullah Saleh, o Iêmen não existia como território unificado. O norte havia sido parte do Império Otomano e, posteriormente, passou a ser governado por uma monarquia de imãs ligados à corrente Zaidi do islamismo. Em 1962, um movimento arabista, inspirado no Egito, os derrubou do poder e instalou uma república nos moldes da de Gamal Abdel Nasser no Cairo.

O sul esteve sob controle do Reino Unido desde 1839. Em vez de ser um território voltado para o interior, como Sanaa, esta região tinha como centro a cidade portuária de Aden, entreposto fundamental na rota da Europa para Índia tanto antes quando depois da construção do canal de Suez. As ideias de fora que chegavam com os navios acabaram alimentando ideais marxistas e, em 1967, o único regime socialista da história do Oriente Médio assumiu o poder, se aliando à União Soviética.

Saleh era do norte e sua carreira política começou nas academias militares. Era fã de Nasser e, aos 36 anos, em 1978, comandou um golpe para assumir o poder em Sanaa. Nas décadas seguintes, ainda jovem, desfrutava de popularidade entre os iemenitas do norte. Em 1990, depois da queda do muro de Berlim, liderou a unificação do Iêmen, transformando-se em um herói nacional.

Sua tarefa não foi simples e, enquanto tentava conciliar a vida dos dois territórios, precisava administra uma economia cada vez mais em crise. Ao contrário de seus vizinhos em Omã e na Arábia Saudita, enfrentava dificuldades para conseguir administrar as finanças sem os recursos do petróleo, cada vez mais escasso.

A oposição a seu governo cresceu. Diferentemente de países como a Síria e o Egito, Saleh sempre abriu espaço para que opositores formassem partidos, ainda que fosse impossível assumir o poder. Mais importante do que a cena política em Sanaa, era a aliança com as diversas tribos ao redor do Iêmen. O líder iemenita sempre evitou bater de frente com elas. Nos últimos anos, começou a enfrentar o renascimento dos separatistas do sul e os rebeldes houthis no norte. A filial da Al-Qaeda no país talvez seja a mais poderosa do mundo. Apesar disso, antes dos levantes árabes, poucos viam o seu regime ameaçado.

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