Líder iraniano atribui extremismo a intervenção ocidental

Líder iraniano atribui extremismo a intervenção ocidental

Em discurso na ONU, Hassan Rohani condenou tanto os grupos radicais quanto as ações militares lideradas por EUA

CLÁUDIA TREVISAN , ENVIADA ESPECIAL / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2014 | 02h01

O colonialismo e a intervenção militar ocidental em países do Oriente Médio estão entre as causas do extremismo que se alastra pela região, ao lado de pobreza, discriminação, humilhação e injustiça, disse ontem o presidente do Irã, Hassan Rohani, em discurso na Assembleia-Geral da ONU.

Rohani condenou tanto os grupos radicais quanto as ações militares lideradas pelos EUA no Afeganistão, Iraque e Síria. "Venho de uma região na qual muitas partes estão queimando sob o fogo do extremismo e do radicalismo. Ao leste e ao oeste do meu país, extremistas ameaçam nossos vizinhos, recorrem à violência e promovem derramamento de sangue", declarou.

O Estado Islâmico (EI) é um grupo radical sunita, corrente do Islã rival do xiismo, maioria no Irã. Grande parte dos conflitos no Oriente Médio hoje têm caráter sectário e são marcados pelo enfrentamento das duas orientações. Para o presidente iraniano, os grupos que praticam o terrorismo em nome do Alcorão não podem ser considerados islâmicos. Em sua opinião, a identificação do extremismo com a religião muçulmana cria uma "islamofobia", que é usada para justificar a intervenção militar em países da região.

Segundo ele, os extremistas estão unidos, mas a resposta a eles não é coordenada. "Para combater o terrorismo, temos de espalhar justiça, desenvolvimento e não permitir a distorção de ensinamentos divinos para justificar a brutalidade e a crueldade", disse.

Para Rohani, a intervenção militar não é o caminho para combater o extremismo. "A democracia não pode ser transplantada do exterior. Ela é produto do crescimento e desenvolvimento, não da guerra e da agressão." Em seu discurso, o iraniano criticou ainda as sanções internacionais contra seu país e a morte de palestinos no conflito entre Israel e o Hamas, em Gaza. Acordo. Ontem, após reunião com Rohani, o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, afirmou que o Ocidente "nunca esteve tão perto de um acordo nuclear" com Teerã. "Nunca estivemos tão perto, mas agora começa a parte mais difícil", disse. "É hora de acabar com esse conflito."

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