Líder iraniano exige desculpas dos EUA

Ahmadinejad cita ''crimes'' de Washington, que estuda enviar carta para descongelar relações

NYT E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

29 de janeiro de 2009 | 00h00

Um dia após o presidente americano, Barack Obama, adotar um tom conciliatório para com o Irã, o presidente Mahmud Ahmadinejad exigiu ontem que os EUA se desculpem por suas ações nos últimos 60 anos. Ele disse não estar claro se o novo governo americano está simplesmente mudando de tática ou se busca uma mudança real. "Estamos esperando pacientemente", disse Ahmadinejad, referindo-se às políticas do governo Obama. "Escutaremos as declarações atentamente, estudaremos suas ações e se houver mudanças reais, elas serão bem-vindas."Em sua primeira entrevista no cargo, Obama disse ser importante conversar com os iranianos, tanto para manifestar as diferenças como para explorar "onde há potenciais vias para progresso". A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, também disse na terça-feira que o Irã tem "uma clara oportunidade" para engajar-se na comunidade internacional.O jornal britânico The Guardian publicou ontem que o governo Obama está considerando enviar uma carta ao Irã com o objetivo de descongelar as relações entre os EUA e o Irã e abrir caminho para conversações diretas. Diplomatas disseram que a carta seria um gesto simbólico para marcar uma mudança de tom da do governo Bush, que incluiu o Irã no chamado "eixo do mal".Ahmadinejad declarou ontem que "mudança significa que eles (os EUA) devem encerrar seu apoio a Israel e deixar que os palestinos decidam seu destino, e se desculpar com a nação iraniana pelos crimes cometidos". Segundo o líder iraniano, a lista de crimes começa com o apoio americano ao golpe de 1953 que depôs o democraticamente eleito governo de Mohammed Mossadegh e instalou o xá Reza Pahlevi, que governou o Irã até ser derrubado pela Revolução Iraniana, em 1979. Segundo ele, a lista também inclui a derrubada de um Airbus da Iran Air, que foi atingido por um míssil da Marinha americana em 1988, matando 290 pessoas. Na ocasião, comandantes militares disseram que o avião de passageiros foi confundido com um caça iraniano.

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