Líder iraquiano destituído abandona desafio e pede a militares que recuem

Após desafiar por dois dias o novo primeiro-ministro do Iraque e acionar tropas especiais e milícias em Bagdá, o que levantou o receio de que uma tentativa de golpe de Estado estaria em curso, o premiê Nuri al-Maliki - que ocupa o cargo interinamente após a indicação de Haider al-Abadi para a função - aparentemente retrocedeu na intenção de manter-se no poder por meio da força ontem. Ao menos na retórica.

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2014 | 02h00

Em um comunicado, o gabinete do líder, no poder desde 2006, declarou que ele não quer que o Exército influencie a política iraquiana. "O primeiro-ministro Maliki pede que comandantes, oficiais e indivíduos afastem-se da crise política e comprometam-se com suas funções militares e de segurança - e com as tarefas de proteger o país e não intervir na crise. Deixem esse assunto para o povo, os políticos e a Justiça."

No domingo, Maliki reagiu furiosamente à nomeação - por parte do novo presidente iraquiano, o curdo Fuad Massum - de Abadi, que pertence ao mesmo partido, xiita, do primeiro-ministro interino. Tanques, militares e milicianos tomaram posições estratégicas em Bagdá. E o premiê contrariado ameaçou recorrer à Justiça contra a indicação.

Maliki é criticado pela incapacidade de conter o avanço dos rebeldes radicais sunitas do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês) no norte iraquiano e por não compartilhar o poder com integrantes das principais minorias do país, os sunitas e os curdos.

Isolado no Iraque, onde perdeu apoio até de integrantes de sua coalizão xiita, Maliki foi abandonado ontem por seu principal aliado no exterior, o Irã. O governo iraniano se disse favorável ao processo constitucional que o substitui por Abadi, que tem um mês para formar um novo governo. Ali Shamkhani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional de Teerã, felicitou Abadi em uma reunião com embaixadores iranianos, informou a imprensa estatal da república islâmica.

Na segunda-feira, o presidente americano, Barack Obama, fez o mesmo. Ontem, o rei saudita, Abdullah, também cumprimentou Abadi e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou que é "imperativo" que as forças de segurança iraquianas fiquem fora do processo de formação do novo governo.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o secretário de Defesa do país, Chuck Hagel, afirmaram ontem que Washington está disposto a ampliar o apoio militar à luta contra o Isil e o respaldo político a Bagdá se Abadi assumir plenamente sua função como primeiro-ministro e conduzir o Iraque a um governo multissectário. "Estamos preparados para considerar opções políticas, militares e de segurança adicionais assim que o Iraque comece a construir um novo governo", afirmou Kerry durante passagem pela Austrália.

O Pentágono informou ontem que enviou mais 130 conselheiros militares para o Iraque, que se juntarão aos 250 homens que já estão no país para ajudar no combate ao Isil. / NYT e AP

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