Líder islâmico da Itália processa o papa

Um ativista muçulmano na Itália abriu processo contra o papa João Paulo II e alguns de seus mais próximos assessores por supostamente declararem que o cristianismo é superior ao Islã.Adel Smith, presidente da União Muçulmana da Itália, deu entrada na corte de Aquila com um processo civil, mas jura não querer compensações financeiras ou punição para o papa. Segundo ele, as autoridades máximas da igreja Católica desrespeitaram a Constituição italiana, que proclama a igualdade entre as religiões.No processo, Smith acusa o papa de ter escrito, em um livro lançado em 1994, que a "riqueza da revelação de Deus" foi "posta de lado" no Islã. Além disso, ele cita o cardeal Joseph Ratzinger, que teria dito que fiéis de outras religiões estariam em "situação de grave atraso" no que toca sua salvação, se comparados com católicos. Também sobrou para o arcebispo de Bolonha, cardeal Giacomo Biffi, que em 2000 pediu favorecimento do governo a imigrantes católicos em detrimento de muçulmanos, a fim de "salvar a identidade nacional". Na época, ele chegou a falar de "ataque ideológico islâmico". "Tudo isso constitui ofensa, injúria e insulto a todos aqueles que praticam pacificamente o islamismo. Também é difamação e incitação ao ódio racial e religioso", disse Smith. O Vaticano não comentou o assunto.

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