Líder libanês diz que não aceita renúncia de ministros xiitas

O primeiro-ministro libanês, Fouad Saniora, rejeitou a renúncia dos cinco ministros xiitas de seu Governo, que ocorreu poucas horas antes do seu anúncio. Em comunicado de seu gabinete, Saniora afirmou que soube da renúncia pela imprensa local e que não foi comunicado oficialmente, e, em todo caso, disse que "não a aceitará". Saniora disse que quer que os ministros xiitas continuem sua missão e sua participação efetiva no Governo. "Este Governo, desde sua formação, insiste em cooperar com todas as partes para encontrar as soluções adequadas ao interesse do Líbano", acrescenta o comunicado. No total, são cinco os ministros que renunciaram, três do Amal - Talal Sajli, da Agricultura; Mohamad Khalife, da Saúde; e Fawzi Salloukh, de Exteriores - e dois do Hezbollah - Mohamad Sfneich, da Água e Energia, e Trad Hamadé, do Trabalho. Os cinco ministros do Hezbollah e Amal apresentaram sua renúncia dos cargos que ocupam no Governo de Saniora como conseqüência do fracasso do "diálogo nacional", retomado na última semana entre os principais líderes políticos e religiosos do país. As renúncias ocorrem após o aumento da tensão entre a maioria parlamentar anti-Síria e os partidos xiitas, devido à exigência destes de formação de um governo de união nacional e, especialmente, por causa da possível criação de um tribunal internacional para julgar o assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri. Condições impostas Segundo a rede "Al-Manar", órgão de comunicação do Hezbollah, as renúncias devem-se à "insistência do Governo de impor condições e resultados prévios às negociações" para a formação de um governo de unidade. De acordo com um comunicado conjunto do Hezbollah e do Amal, segundo informações da televisão "Al-Manar", os dois partidos não estão dispostos a permanecer no governo, porque discordam dessas exigências, que "prejudicam os interesses nacionais superiores". Os dois grupos expressaram seu desejo de que a administração tenha "êxito" em suas tarefas e justificaram sua renúncia em que tinham insistido ao resto do governo sobre a necessidade de manter no país um "sistema democrático". Também ressaltaram a manutenção da "estabilidade e segurança, e o bem de todos os libaneses", o que, na opinião dos partidos, os outros grupos oficiais não compartilham. O atual governo libanês é o primeiro eleito no país desde a saída das tropas sírias, em abril de 2005, e também foi o primeiro no qual o Hezbollah teve ministros.

Agencia Estado,

11 Novembro 2006 | 18h30

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