Líder líbio Khadafi pede 'Guerra Santa' contra Suíça

Relações entre os países foram cortadas em 2008 após prisão de filho de Khadafi no país.

BBC Brasil, BBC

25 de fevereiro de 2010 | 20h15

O líder líbio, Muamar Khadafi, convocou nesta quinta-feira uma "Guerra Santa", ou Jihad, contra a Suíça.

Khadafi justificou o pedido afirmando que o país é "infiel" e está "destruindo mesquitas", em alusão ao resultado de um referendo do ano passado em que os suíços se colocaram a favor de proibir a construção de minaretes.

"Qualquer muçulmano em qualquer parte do mundo que trabalhe com a Suíça é um apóstata (pessoa que abandonou as fé em uma religião), é contra o profeta Maomé, Deus e o Corão", disse.

"As massas de muçulmanos devem ir a aeroportos do mundo islâmico e impedir a aterrissagem de aviões suíços, aos portos e impedir a chegada de navio suíços e inspecionar lojas e mercados para impedir que produtos suíços sejam vendidos."

"Vamos combater a Suíça, o sionismo e a agressão estrangeira", completou.

O líder líbio ressaltou que "existe uma grande diferença entre terrorismo e o direito à jihad, ou resistência armada".

Referendo

No referendo de 29 de novembro, a maioria dos suíços votou a favor de uma lei que proíbe a construção de minaretes.

O governo suíço havia aconselhado a população a votar contra a proposta, argumentando que ela violaria a liberdade religiosa.

O Ministério das Relações Exteriores suíço disse que não comentaria as declarações de Khadafi.

A Líbia rompeu relações com a Suíça em 2008 após a prisão de um filho de Khadafi em um hotel suíço, acusado de maltratar empregados.

Ele foi libertado pouco depois da detenção, e as acusações foram retiradas, mas a Líbia cortou a venda de petróleo para a Suíça, retirou bilhões de dólares depositados em bancos suíços e prendeu dois empresários suíços que trabalhavam em território líbio.

A Líbia afirma que as prisões dos empresários e a do filho de Khadafi não têm ligação.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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