Líder líbio sempre manteve Exército fraco e dividido

Muamar Kadafi, que chegou ao poder num golpe militar, sempre manteve os militares líbios fracos e divididos. Cerca da metade de seu Exército relativamente pequeno, de 50 mil homens, é formada por recrutas mal treinados e pouco confiáveis, segundo o Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington. Muitos de seus batalhões são organizados com base em linhagens tribais, assegurando sua lealdade ao próprio clã e não ao alto comando militar - um padrão que ficou evidente na deserção de partes do Exército que ajudaram manifestantes a tomar a cidade oriental de Benghazi.

Cenário: Kareem Fahim e David D. Kirkpatrick, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2011 | 00h00

O clã de Kadafi domina a Força Aérea e o escalão superior da oficialidade do Exército, e acredita-se que estes tenham permanecido fieis a ele, em parte porque o clã tem tudo a perder com a sua destituição. Outros clãs, como a grande tribo warfalla, ressentem_se de ter sido excluídos dos altos escalões, observou Sullivan, o que pode ajudar a explicar por que eles estavam entre os primeiros a se virar contra Kadafi.

Desconfiado de seus oficiais, Kadafi construiu uma elaborada força paramilitar - acompanhada por segmentos especiais do Exército Regular subordinados principalmente à sua família. Ela está encarregada de fiscalizar o Exército e, em parte, submeter a população do país. No topo dessas estrutura está sua guarda revolucionária de aproximadamente 3 mil membros, cuja principal missão é cuidar de sua segurança. Depois, há milícias controladas pelos sete filhos de Kadafi. Um telegrama da Embaixada dos EUA na Líbia divulgado pelo WikiLeaks descreveu o batalhão privado de seu filho Khamis como o mais bem equipado do Exército líbio. Seu irmão Saadi teria usado seu batalhão privado para ajudá-lo a conseguir acordos comerciais. E um terceiro irmão, Muatassim, é o Consultor de Segurança Nacional de Kadafi. Em 2008, ele pediu US$ 2,8 bilhões para pagar por um batalhão seu, para se igualar a seus irmãos.

SÃO REPÓRTERES DO "NYT"

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