Líder mexicano quer anonimato de juízes contra cartéis

Para evitar represálias do narcotráfico, identidade de testemunhas-chave também seria preservada durante julgamentos

REUTERS, AP e AFP, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2010 | 00h00

O presidente do México, Felipe Calderón, mostrou-se ontem favorável à ideia de que juízes, testemunhas e policiais envolvidos no julgamento de casos de narcotráfico possam esconder seu rosto e sua identidade para evitar represálias dos poderosos cartéis mexicanos, responsáveis por quase 30 mil assassinatos nos últimos três anos.

O fato de hoje "o processado ter o direito de ver quem o acusa, como se chama, em que trabalha e onde vive deixa desprotegidas as vítimas, testemunhas, acusadores, fiscais do Ministério Público, policiais e juízes", disse Calderón.

Esconder o rosto dos envolvidos nas acusações - como ocorreu no combate às máfias italianas e com os guerrilheiros do Sendero Luminoso, no Peru, é "uma experiência que deve ser valorizada", de acordo com Calderón.

Para defender a ideia, o presidente mexicano contou casos de policiais federais que atuavam no Estado mexicano de Michoacán - considerado um reduto do cartel La Familia - e foram "covardemente" assassinados na estrada, quando voltavam para a Cidade do México, depois de terem testemunhado em julgamentos contra narcotraficantes.

Pacote jurídico. O México está empenhado em promover uma ampla reformar de seu Judiciário até 2016. Uma das principais mudanças é privilegiar os julgamentos orais em detrimento dos escritos, dando mais agilidade aos processos, como ocorre atualmente nos EUA, cujo governo é o principal financiador da reforma judiciária mexicana.

Apesar do apoio recebido de Washington, Calderón voltou a criticar os americanos, que, segundo ele, não reforçam o combate ao consumo de drogas dentro de suas fronteiras, o que alimenta os cartéis mexicanos. Ele também criticou o tráfico de armas que são enviadas dos EUA para o México.

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