AFP PHOTO / Hezbollah media office
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Líder militar do Hezbollah morre em suposto ataque aéreo das forças israelenses

Explosão teria sido provocada por um ataque da aviação de Israel, mas grupo xiita libanês ainda investiga as causas do incidente

O Estado de S. Paulo

13 Maio 2016 | 10h08

BEIRUTE - O líder militar do grupo xiita libanês Hezbollah e chefe de suas operações na Síria, Mustafa Badreddine, morreu em um suposto ataque aéreo das forças de Israel em território sírio, informou nesta sexta-feira, 13, o grupo xiita libanês em comunicado.

O Hezbollah explicou que Badreddine, cujo nome de guerra era Zu al Fiqar, morreu em uma "forte explosão" contra uma das sedes do grupo, "localizada perto do aeroporto internacional de Damasco, que também deixou vários feridos".

Informações indicam a que a explosão foi provocada por um ataque da aviação israelense, mas o grupo xiita disse que ainda está investigando as causas do incidente.

O Hezbollah qualificou Badreddine de "grande líder jihadista" (combatente islâmico) e garantiu que "após uma vida plena de jihad (guerra santa), cativeiro, ferimentos e grandes conquistas, terminou como um mártir".

Badreddine participou da maior parte das "operações da resistência islâmica desde 1982", segundo nota do Hezbollah. Além disso, ela era considerado um dos autores intelectuais e executores do assassinato do ex-primeiro-ministro libanês, Rafik Hariri, em 14 de fevereiro de 2005, após a explosão de um carro-bomba em Beirute.

Israel atribuía a Badreddine a responsabilidade pelos atentados contra sua embaixada em Buenos Aires em 1992, e contra a associação judaica Amia, em 1994, também na Argentina.

Seu nome aparece na lista de terroristas dos EUA e, há alguns meses, a Arábia Saudita também o incluiu em uma lista negra por realizar operações fora do Líbano.

Badreddine é o segundo líder do Hezbollah assassinado em Damasco, depois do atentado com um carro-bomba em fevereiro de 2008, também atribuído a Israel, contra Imad Mugniye, antigo chefe militar da milícia libanesa.

O movimento tem fortes vínculos com o regime do presidente sírio, Bashar Assad, que pertence a uma seita xiita, e atualmente participa do conflito sírio ao lado das tropas governamentais.

Repercussão. Governantes e altos comandantes israelenses mantiveram absoluto silêncio sobre a morte de Badreddine, embora alguns analistas locais tenham sugerido que, neste caso, Israel poderia não estar por trás do ataque.

Em sua habitual política de ambiguidade, principalmente no que se refere ao conflito na Síria, o governo israelense e o Exército não fizeram comentários sobre a morte de Badreddine.

Nos últimos anos, Israel admitiu ter atacado um número desconhecido de alvos do Hezbollah na Síria, alegando que eram comboios de armas avançadas que iam para o Líbano ou comandantes que atuavam nas Colinas de Golã. Em ambos casos, o país argumentou que seriam uma ameaça à sua segurança.

No entanto, alguns analistas locais afirmaram que, neste caso, Israel parece não estar envolvido. "(A morte de Badreddine) é boa para Israel, mas ele não é sempre responsável (por estas coisas)", afirmou o ex-chefe da Agência de Segurança Nacional, Jacob Amidror, em entrevista a uma rádio.

Ele acrescentou que "aqueles que hoje atuam na Síria (em referência ao Hezbollah e ao Irã, aliados de Assad) já têm suficientes inimigos dentro da Síria", e por isso considerou um erro sempre atribuir estes casos ao seu país. /EFE e Associated Press

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