Líder morto buscou Polônia nacionalista e conservadora

Líder morto buscou Polônia nacionalista e conservadora

O presidente polonês, Lech Kaczynski, morto hoje em um acidente aéreo na Rússia, foi um ativista anticomunista, que, junto a seu irmão gêmeo buscou dar à Polônia uma direção nacionalista e conservadora. Kaczynski, de 60 anos, adotou uma postura fortemente pró-Estados Unidos em sua política externa, seguindo um consenso partidário multilateral que cresceu na Polônia após a queda do comunismo. Kaczynski foi defensor dos planos de instalação do sistema norte-americano antimísseis na Polônia, a maior nação do leste europeu a entrar para a União Europeia.

AE-AP, Agência Estado

10 de abril de 2010 | 13h51

No entanto, o nacionalismo de Kaczynski e seu irmão gêmeo idêntico, Jaroslaw - que foi primeiro-ministro e agora atua como líder de oposição - complicaram por algumas vezes suas relações com países vizinhos europeus e com a Rússia. O presidente posicionou-se, por exemplo, durante muito tempo contra o tratado de Lisboa assinado em novembro, que deu caráter de Nação à União Europeia. No entanto, domesticamente seu apelo baseou-se na representação dos anseios dos poloneses e sua postura perante a lei e a ordem.

Nas décadas de 1970 e 1980, os irmãos Kaczynski tornaram-se ativistas de oposição ao comunismo e serviram como conselheiros do fundador do movimento Solidariedade de Lech Walesa. Kaczynski apoiou Walesa na campanha presidencial de 1990 e tornou-se conselheiro-chefe do presidente em questões de segurança. Sua cooperação com Walesa foi encerrada por divergências políticas e Walesa foi derrotado em 1995 pelo ex-comunista Aleksander Kwasniewski.

Kaczynski foi ministro da Justiça da Polônia em 2000-2001 e sua rígida postura contra o crime tornou-se base para a popularidade que asseguraria sua ascensão à presidência mais tarde. Ele tornou-se governador de Varsóvia em 2001.

Seus oponentes, entretanto, o consideravam um homem de mente pequena, provinciano e excessivo na condução de sua política de limpar o país da influência comunista. Ele foi criticado por grupos de direitos humanos por tentar barrar uma parada de grupos homossexuais na capital polonesa. Ao buscar a presidência em 2005, fez do governo limpo sua principal plataforma, uma promessa que depois o levou a retirar ex-comunistas do poder envolvidos em escândalos de corrupção. "Nosso país precisa de renovação, uma renovação da vida pública", afirmou Kaczynski na ocasião.

Mas sua popularidade diminuiu quando assumiu a presidência. Em 2007, seu irmão gêmeo foi retirado do cargo de primeiro-ministro após, durante dois anos, não conseguir manter uma coalizão com os partidos menores. O governo do primeiro-ministro Donald Tusk - homem que Kaczynski venceu nas eleições para a presidência - ganhou respeito por evitar a recessão durante o aprofundamento da crise econômica recente e por uma política externa sem atritos. Kaczynski enfrentaria este ano o desafio de ser reeleito, provavelmente em outubro, quando as eleições deveriam ser marcadas.

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