Líder muçulmano em SP chama de "ataque terrorista" ação dos EUA no Afeganistão

A comunidade muçulmana de São Paulo classificou hoje como "ataques terroristas" a ofensiva dos Estados Unidos contra o Afeganistão. "Acompanhamos com muita tristeza e chocados os ataques de hoje dos Estados Unidos contra o Afeganistão. Repudiamos esses bombardeios, como também repudiamos os ataques terroristas sofridos pelos EUA em 11 de setembro último, mas, também consideramos a ofensiva de hoje como um ataque terrorista", afirmou o presidente da Sociedade Beneficente Muçulmana de São Paulo, Muhamad Nassib Mourad. Para o líder muçulmano, a ação norte-americana terá como conseqüência a morte de afegãos indefesos, além do aumento do sofrimento de uma população já miserável, fruto de décadas de guerras internas. "Gostaríamos que os Estados Unidos e a Inglaterra refletissem um pouco sobre o que estão fazendo com o povo afegão. É uma população que precisa de bom senso e ajuda humanitária para combater sua fome, e não de bombardeios", manifestou. Na avaliação de Mourad, não há provas nas acusações norte-americanas de envolvimento de Osama Bin Laden aos ataques terroristas contra Nova York e Washington. "Muito pior do que isso é a presença de um terrorista oficial, Ariel Sharon, que luta contra os palestinos com armas fornecidas pelos Estados Unidos. Por que o governo norte-americano tem dois pesos e duas medidas? ", questionou, citando o primeiro-ministro israelense e a aproximação dele ao governo dos EUA. De acordo com Mourad, a comunidade muçulmana vem sendo oprimida em todo o mundo. "Fizemos hoje uma reza para as almas de todos os mártires que estão morrendo hoje não só no Afeganistão, mas também na Chechênia, Bósnia, Filipinas, Índia e Palestina", disse. "Hoje, um milhão de crianças morrem por ano no Iraque por falta de remédios como conseqüência do embargo imposto pelos Estados Unidos". De acordo com ele, as prováveis mortes de hoje no Afeganistão atingem a toda a comunidade muçulmana mundial. "Qualquer um que morre, é um ser humano. Somos uma raça só e nos entristecemos pelo que aconteceu, não importa se conhecíamos ou não as pessoas que morreram hoje", justificou. Mourad citou o livro sagrado muçulmano: "O Alcorão diz que assassinar uma pessoa será como assassinar toda a humanidade. Quem salva uma vida, salva toda a humanidade. Não queremos a guerra", sustentou. Leia o especial

Agencia Estado,

07 Outubro 2001 | 18h46

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