Líder nas pesquisas promete "mão pesada" contra guerrilhas na Colômbia

O líder nas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial colombiana de 26 de maio, Alvaro Uribe, afirmou nesta sexta-feira, numa entrevista à Associated Press, que agirá com "mão pesada" nas negociações com a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)."Se retificam sua intenção de negociar a paz, eu continuo o processo, mas se não o fizerem, no dia seguinte ao da posse o Exército colombiano entra em Caguán", declarou Uribe, referindo-se à principal cidade da zona desmilitarizada de 42 mil quilômetros concedida pelo atual governo às Farc no sul do país.Uribe, que teria 53% dos votos de acordo com uma pesquisa divulgada quinta-feira - o suficiente para vencer a eleição no primeiro turno -, fez a declaração em resposta ao candidato do Partido Liberal, Horacio Serpa, segundo colocado na sondagem, com 24%. Serpa, após um encontro com dirigentes das Farc na zona desmilitarizada, disse temer "candidatos que falam de guerra total na Colômbia"."Se foi uma referência a mim, entendo que tenha sido uma declaração produzida num momento de angústia nacional e angústia eleitoral", disse Uribe. "Ele (Serpa) me conhece bem e sabe que eu sou um democrata com sentido de autoridade."Uribe, ex-prefeito de Medellín e ex-governador de Antioquia, era membro do Partido Liberal, de Serpa, antes de se candidatar à presidência como independente.As duas principais guerrilhas da Colômbia - as Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN) - o acusam de vínculos com milícias paramilitares de extrema direita congregadas nas Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), que combatem os rebeldes esquerdistas no interior do país. Uribe assegura que os guerrilheiros já tentaram matá-lo em pelo menos 15 ocasiões.Hoje, o candidato cancelou um comício na cidade de Cúcuta, no noroeste do país, perto da fronteira com a Venezuela, ante advertências de um possível atentado contra ele. Segundo versões de assessores, um telefonema anônimo para a sede eleitoral de Uribe da cidade alertou para um carro-bomba que os guerrilheiros planejavam explodir na frente do escritório eleitoral.Sem dar detalhes sobre a ameaça, Uribe confirmou que cancelaria a visita "por delicadas razões de ordem pública", que deveriam sem manejadas "com prudência e sem dramas". "Vamos analisar isso de cabeça fria e com serenidade, buscando opções de contato com os cidadãos", disse.O candidato também qualificou de "um espetáculo de mídia" a reunião de Serpa e outros dois candidatos presidenciais - a independente Ingrid Betancourt e o esquerdista Luis Eduardo Garzón - com líderes das Farc, quinta-feira, na zona desmilitarizada. Durante o encontro, os dirigentes da guerrilha asseguraram que não pretendem boicotar as eleições.

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