Líder norte-coreano falta pela 2ª em festa de feriado nacional

Ausência amplia rumores sobre estado de saúde do ditador; Kim não participou do desfile dos 60 anos do país

Agências internacionais,

15 de setembro de 2008 | 13h57

O líder norte-coreano Kim Jong Il não apareceu em público nesta segunda-feira, 15, durante um importante feriado do país. Com isso, seguem os rumores sobre seus possíveis problemas de saúde. Kim, de 66 anos, teria sofrido um derrame em 14 de agosto e submetido a uma cirurgia de emergência, segundo a agência Kyodo, que citou funcionários chineses não identificados. A mesma fonte afirmou que cinco médicos militares chineses foram enviados a Pyongyang para ajudar no caso. A Kyodo afirmou que Kim ainda terá um longo período de recuperação e tem problemas para movimentar os membros. Funcionários sul-coreanos confirmaram a versão do derrame. O Chuseok - ou Dia de Ação de Graças - seria uma oportunidade para Kim acabar com as especulações. O líder é notoriamente recluso, mas tradicionalmente faz alguma aparição pública nessa data. Kim não compareceu à parada militar em comemoração aos 60 anos de fundação da Coréia do Norte, levantando especulações sobre seu estado de saúde. O líder não perdia um desfile militar em comemoração ao aniversário do país havia 10 anos, mas faltou justamente à importante festa dos 60 anos do regime comunista, o que comprovaria a gravidade de sua doença. O funcionário da inteligência dos EUA, falando em condição de anonimato, disse que as informações são imprecisas, mas aparentemente o ditador norte-coreano não estaria à beira da morte, talvez apenas incapacitado. A última aparição pública de Kim foi em uma transmissão da TV estatal em 14 de agosto.  Há anos o estado de saúde de Kim desperta atenção do Ocidente. Em 2007, durante encontro com autoridades sul-coreanas, o próprio ditador negou rumores de que tivesse alguma doença grave. Mas a inteligência da Coréia do Sul afirma que Kim sofre de diabetes e problemas cardíacos e teve um desmaio no dia 22. No fim de semana, o jornal sul-coreano Chosun Ilbo publicou uma reportagem informando que cinco médicos chineses foram enviados à Coréia do Norte no fim do mês passado para tratar uma "autoridade", insinuando que seja o ditador. Kim lidera um dos regimes mais isolados e imprevisíveis do mundo - e causa preocupação no Ocidente, pois o país possui tecnologia para desenvolver armas nucleares. Depoimentos retratam Kim como um ditador extravagante. No fim da década de 90, quando cerca de 2 milhões de norte-coreanos morreram por causa de uma crise de alimentos provocada por desastres naturais e um descontrole econômico, Kim Jong-il enviou seu cozinheiro pessoal a Tóquio para comprar sushi fresco, a Teerã para comprar caviar, a Copenhague para comprar bacon e a Paris para comprar queijos finos, vinhos e conhaques. Segundo o cozinheiro, Kim tem uma coleção de 10 mil garrafas de bebidas importadas. Em um país pobre, onde o bem mais precioso para a maioria da população costuma ser uma bicicleta velha, o clã Kim desfruta de carros importados, jet skis e motocicletas. O líder, um apaixonado por cinema, teria um acervo de mais de 20 mil filmes de Hollywood e o costume de dirigir pessoalmente as cinematográficas coreografias usadas nos grandes eventos nacionais. Famoso pelos cabelos espetados, os óculos ao estilo Elvis Presley, a túnica de trabalhador e o séquito de bajuladores, Kim estaria em seu quarto casamento. Para disfarçar a baixa estatura, sempre usa sapato estilo plataforma. Kim Jong-il assumiu o poder em 1994, após a morte de seu pai, Kim Il-sung - o fundador do Estado comunista em 1948. Com a sucessão, o clã deu início à primeira dinastia comunista do mundo.  (Com The New York Times)

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