Líder norte-coreano pede maior prosperidade

Kim Jong-un mostra-se mais preocupado em cuidar da economia moribunda da Coreia do Norte do que seu pai

SEUL, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2012 | 03h06

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, pediu ao povo a construção de uma "nação próspera" numa importante diretriz divulgada ontem, um dia depois de afirmar a uma delegação chinesa em visita ao país que estava concentrando seus esforços no "desenvolvimento da economia e na melhoria do nível de vida do povo".

Ontem, a imprensa norte-coreana publicou o texto de uma longa conversa que Kim teria tido com as mais altas personalidades do Partido dos Trabalhadores, no dia 26. A conversação foi a última de uma série de discursos e comunicados feitos por Kim nos quais ele pareceu mais preocupado em cuidar da moribunda economia da Coreia do Norte do que seu pai, Kim Jong-il, que defendia uma política em que os militares vinham em primeiro lugar.

"O desenvolvimento da economia e a melhoria do nível de vida, para que o povo coreano tenha uma vida feliz e civilizada, são os objetivos pelos quais o Partido dos Trabalhadores está lutando", disse Kim Jong-un num encontro com Wang Jiarui, chefe do Departamento de Ligação Internacional do Partido Comunista Chinês, na capital da Coreia do Norte, Pyongyang, na quinta-feira, informou a agência Xinhua.

A ajuda da China é crucial para um programa de revitalização econômica que Kim estaria empreendendo depois de ter expulsado um general de linha dura, o marechal Ri Yong-ho das instâncias decisórias do partido.

A dependência da Coreia do Norte da China aumentou em razão do endurecimento das sanções internacionais e porque a ajuda externa minguou depois da realização dos testes nucleares e de mísseis de longo alcance nos últimos anos. O país solicitou ajuda humanitária urgente depois das inundações que mataram mais de cem pessoas e causaram grandes prejuízos à agricultura, informou a ONU.

Wang chefiou a primeira delegação estrangeira recebida por Kim Jong-un para conversações formais bilaterais desde que assumiu a Coreia do Norte após a morte do pai, em dezembro. A imprensa oficial de ambos os países citou Kim Jong-un e Wang, que prometeram consolidar a tradicional amizade entre os dois países. Segundo especulações da imprensa sul-coreana, a visita de Wang poderá ser seguida por uma viagem de Kim Jong-un a Pequim.

Durante anos, os líderes chineses instaram a Coreia do Norte a seguir seu caminho para uma reforma econômica de mercado. Agora que a política do pai que privilegiava os militares transformou a Coreia do Norte em uma "potência militar de nível mundial", ele disse, em seus discursos recentes, que a Coreia do Norte deve se esforçar ainda mais para "melhorar o nível de vida das pessoas e construir um país economicamente próspero".

"Não faz muito tempo, eu disse a vocês que devemos fazer com que o povo grite 'Vivas' ao Partido dos Trabalhadores o tempo todo e em toda parte, não apenas durante os grandes comícios, mas também nas ilhas distantes e nos profundos vales nas montanhas", disse Kim no discurso publicado ontem. "Ele fará isso quando tornarmos este país próspero e as pessoas ricas".

Esta preocupação pelas pessoas não é inusitada na propaganda norte-coreana e se coaduna com os esforços de Kim Jong-un para criar uma imagem de líder mais amigo do povo. A imprensa oficial o mostrou recentemente com criancinhas no colo, andando de montanha russa num parque de diversões e rindo com a exibição de personagens de Disney ao vivo, algo inimaginável na época do pai. / NYT, TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.