Líder omite inflação e se diz livre de 'abutres'

A presidente Cristina Kirchner abriu seu discurso de quase 4 horas lendo um tuíte do dia 27 do jornalista Joseph Cotterill, do Financial Times. A mensagem dizia que a Argentina "finalmente tinha conseguido", pois seus bônus renegociados eram cotados "acima do par". Minutos após ser citado, o jornalista voltou ao Twitter: "Obrigado pela menção em seu discurso. Mas temo que os bônus se valorizam na medida em que resta menos tempo para você no gabinete".

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

02 Março 2015 | 02h01

Cristina tentava exibir uma avaliação otimista do mercado, depois de o país entrar em moratória parcial em julho, por desobedecer uma sentença americana em favor dos chamados "fundos abutres", que rejeitaram a renegociação da dívida argentina e ameaçavam, assim, o pagamento dos que aceitaram.

Em sua primeira hora de fala, além de celebrar a "vitória sobre os abutres", a presidente argentina exaltou a taxa de desemprego de 6,9% e o crescimento de 0,6% no PIB "em um ano difícil". Também celebrou o plano que estimula lojas a parcelar em 12 vezes e a superação dos 6 milhões de aposentados (1,5 milhão dos quais sem contribuições). A presidente não mencionou a inflação, de 23% ao ano segundo o governo e 40% segundo medições independentes. "É o mesmo discurso de sempre, uma Argentina paralela à realidade. O desemprego real beira os 12% e está claro que o governo prefere estar na recessão a mexer no câmbio (o dólar no paralelo se estabilizou em 13,2 pesos, enquanto o oficial está cotado a 8,7) em um ano eleitoral", disse ao Estado o economista e sociólogo Juan Llach, ex-ministro da Educação. / R.C.

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