Líder oposicionista de Ruanda irá a julgamento por integrar milícia

Autoridades acusam Victoire Ingabire de pertencer a grupo que Paul Rusesabagina teria fundado

Reuters,

12 de novembro de 2010 | 18h02

KIGALI- Autoridades afirmaram nesta sexta-feira, 12, que uma oponente do presidente de Ruanda, Paul Kagame, deve ir a julgamento dentro de 30 dias, e que estão buscando apoio do Ocidente para investigar uma pessoa que virou protagonista do filma Hotel Ruanda.

 

Victoire Ingabire, líder da oposição, teve pedido de fiança negado pela segunda vez depois de ter sido preso e acusado em outubro de ajudar a formar a Coalizão de Forças Democráticas, um grupo militante com base na República Democrática do Congo. Ela também foi acusada de ameaçar a segurança nacional e a ordem pública.

 

"A corte foi marcada para começar 30 dias depois da decisão de hoje", afirmou Augustin Nkusi, porta-voz da Autoridade de Procuradoria Pública Nacional, em um comunicado.

 

Kagame, que venceu as eleições presidenciais em agosto, é bem visto por países estrangeiros, mas críticos dizem que sua reputação foi atingida por ser repressor em seu país.

 

Martin Ngoga, procurador geral de Ruanda, disse à Reuters que autoridades buscam ajuda dos Estados Unidos e da Bélgica para investigar Paul Rusesabagina, cuja história foi contada no filme Hotel Ruanda, de 2004.

 

Rusesabagina era um gerente de um hotel de luxo durante o genocídio de 1994, quando usou seus contatos com a elite Hutu, etnia da qual faz parte, para proteger tutsis e hutus moderados das milícias de exterminação.

 

Ele é um crítico de Kagame, e defende que sua presidência pode reiniciar a violência no país, já que o governante é da elite tutsi.

 

Na quarta, Ngoga afirmou à Reuters que Rusesabagina é investigado porque iniciou as atividades de milícia pelas quais Victoire foi presa. O opositor disse à CNN que as acusações contra ele são sem fundamento.

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