Líder opositor ameaça suspender negociações no Zimbábue

Tsvangirai afirma que acabará com conversas se o governo não parar de seqüestrar oponentes políticos

Reuters,

19 de dezembro de 2008 | 12h03

O líder opositor do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, afirmou nesta sexta-feira, 19, que pedirá pela suspensão das conversas de partilha do poder com o presidente Robert Mugabe se o governo não parar de perseguir os oponentes políticos.   Veja também: 'África não tem coragem' para tirá-lo do poder, diz Mugabe   Tsvangirai, líder do Movimento para a Mudança Democrática, e Mugabe (MDC, sigla em inglês) concordaram em formar um governo de unidade há três meses. A proposta inflou as esperanças de que a nação poderia se reerguer do caos político, econômico e humanitário em que se encontra. Porém, as conversas não tiveram êxito por conta da disputa pelo controle de Ministérios considerados chave e por uma onda de seqüestros de opositores e de ativistas anti-Mugabe. A oposição culpa o partido de Mugabe, o ZANU-PF, pela violência.   "Se os seqüestros não acabarem imediatamente, e se todos os seqüestrados não forem libertados ou acusados judicialmente até 1º de janeiro de 2009, pedirei ao MDC que aprove uma resolução para suspender todas as negociações e contatos com o ZANU-PF", afirmou. Tsvangirai derrotou Mugabe nas eleições presidenciais de março, mas não obteve maioria absoluta. Ele desistiu de concorrer no segundo turno em junho, afirmando que assim evitaria que mais opositores seriam assassinados.   A ameaça de Tsvangirai surge no momento em que cresce a preocupação internacional com uma epidemia de cólera que atinge o país, reacendendo os pedidos pela saída do presidente de 84 anos e que está no poder desde 1980. Nesta sexta, Mugabe afirmou que os países africanos não têm coragem para mandar tropas e tirá-lo do cargo. "Como podem os líderes africanos derrubarem Mugabe um dia e organizarem um Exército? Não é fácil", teria dito Mugabe em uma reunião do comitê central de seu partido na quinta-feira, segundo o jornal. "Não conheço nenhum país africano que seja corajoso o bastante para fazer isso". Mugabe afirmou ainda que mandou cartas para Tsvangirai convidando o rival para jurar como primeiro-ministro do país.

Tudo o que sabemos sobre:
Zimbábue

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.