Juan Karita / AP
Juan Karita / AP

Líder opositor boliviano pede eleições para 19 de janeiro

Luis Fernando Camacho dá prazo até quinta-feira para que governo interino convoque votação; policiais e militares reprimem protesto de cocaleiros em Cochabamba que pedem volta de Evo

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2019 | 06h45

LA PAZ - O líder opositor Luis Fernando Camacho, organizador dos movimentos que pediam a renúncia de Evo Morales, defendeu na segunda-feira, 18, a realização de eleições na Bolívia no dia 19 de janeiro, e deu um prazo até quinta-feira para que o governo interino convoque a votação.

Camacho pediu respeito à Constituição e à decisão dos cidadãos de "ter um processo eleitoral até 19 de janeiro de 2020 (...), dando um prazo até quinta-feira para que possamos ter um tribunal eleitoral que reflita o sentimento do povo boliviano".

"Necessitamos garantir ao povo boliviano um processo eleitoral limpo e transparente, mas principalmente imediato (...), em 19 de janeiro", afirmou o opositor.

A exigência de Camacho e de outros líderes civis coincide com gestões da Igreja Católica para aproximar posições entre os partidos políticos e atores sociais visando novas eleições.

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O monsenhor Eugenio Scarpellini, membro da Conferência Episcopal, disse na noite de segunda que a reunião multipartidária visando um novo processo eleitoral obteve progressos. "Acredito que há vontade de avançar, os acordos estão se formando", afirmou ele à emissora CNN.

Polícia e militares dispersam protesto contra governo interino

Policiais e militares reprimiram na segunda-feira um protesto que reuniu milhares de cocaleiros em Cochabamba, que exigem a volta de Evo Morales à presidência.

Enfurecidos com a morte de nove manifestantes supostamente baleados por policiais, seguidores de Evo - com whipalas (bandeira indígena) e bandeiras da Bolívia - tentaram entrar na cidade de Cochabamba a partir da vizinha Sacaba, mas foram violentamente reprimidos.

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Jornalistas viram policiais de choque lançando bombas de gás lacrimogêneo e avançando com um blindado para dispersar a multidão, que atirava pedras contra as forças da ordem. Em seu recuo, os cocaleiros atearam fogo em barricadas que haviam erguido na estrada. 

Ao menos sete manifestantes foram detidos por militares e um ficou ferido na cabeça, ao que parece por uma pedrada. Atrás da polícia de choque havia militares armados com fuzis de assalto. 

O protesto exigia a saída de Jeanine Áñez e foi dissolvido após várias horas de tensão.

"Aqui ninguém tem armas, mas nos encheram de gás", disse Ronald Cruz, de 37 anos. "Vamos seguir tentando chegar (a Cochabamba) até conseguir. Aqui ninguém se rende."

Crise instaurada

Evo tentou a reeleição em 20 de outubro, mas a oposição denunciou fraude - o que também foi defendido pela Organização dos Estados Americanos (OEA), que falou em irregularidades na votação -, dando origem a uma crise que repercutiu nas ruas, levando-o a renunciar, após perder o apoio dos militares e da polícia.

Desde então, a Bolívia ficou rachada e em um mês de protestos, somam-se 23 mortos. Evo, asilado no México, se considera vítima de um golpe de Estado e sua sucessora, Jeanine Áñez - que se declarou presidente interina -, prometeu pacificar o país e convocar eleições.

Seguidores do ex-mandatário protestam diariamente nas ruas da Bolívia para exigir a renúncia de Jeanine. / AFP

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