Federico Parra / AFP
Federico Parra / AFP

Líder opositor diz ao ‘NYT’ que ‘janela eleitoral se fechou’ na Venezuela

Em prisão domiciliar, Leopoldo López pediu um ‘aumento em todas as formas de pressão’ para ‘convocar uma eleição livre e justa’; mulher do político denunciou que o serviço de inteligência do país entrou 'bruscamente' em sua residência

O Estado de S.Paulo

02 Março 2018 | 11h02

CARACAS - O líder opositor venezuelano Leopoldo López, que está em prisão domiciliar em Caracas desde julho, considera que a “janela eleitoral” em seu país “se fechou” e pediu um “aumento em todas as formas de pressão” para “convocar uma eleição livre e justa”.

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Um artigo publicado na quinta-feira 1.º pelo jornal americano The New York Times cita partes da conversa com o opositor, o qual foi proibido pela Justiça venezuelana de conceder entrevistas ou fazer declarações públicas.

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“Estou há quatro anos preso por dizer o que penso e, se me autocensurar, a ditadura me derrota”, afirmou o fundador do partido Voluntad Popular, que foi condenado em setembro de 2015 a quase 14 anos de prisão.

Ao se referir ao seu partido, López denunciou que 87 de seus líderes estão presos e os que restaram estão se convertendo em uma “organização clandestina”, que realizaria reuniões secretas e distribuiria panfletos nas esquinas.

O opositor também descartou a possibilidade de fugir: “A maioria das pessoas diz que eu deveria”, mas “acredito que o compromisso com a causa significa que tenho de correr o risco”.

López foi sentenciado por instigação pública, associação para delinquir, danos à propriedade e incêndio depois de realizar discursos durante uma manifestação antigoverno em 2014, na qual três pessoas morreram. Ele ficou mais de três anos preso na penitenciária militar de Ramo Verde, perto de Caracas.

Após receber a pena, López foi retirado de sua residência e voltou para prisão militar por um suposto risco de fuga, onde permaneceu uma semana antes de poder voltar para casa.

Sobre sua situação, o ex-prefeito do município de Chacao admitiu que “não é fácil”, embora tenha considerado que tem “a responsabilidade” de dizer o que pensa.

O artigo do New York Times conta como López conseguiu manter contato com todas as partes durante os diálogos fracassados entre o governo e a oposição na República Dominicana.

Além disso, o texto destaca que o opositor tem se mostrado mais flexível em suas ideias sobre uma transição na Venezuela, à qual se opôs firmemente em outras conversas sobre uma ação militar.

“Em 1958, houve um golpe militar que iniciou a transição para a democracia”, afirmou López, segundo o artigo, que atribui a frase a um diálogo que manteve “uma noite” com a jornalista do New York Times. “Em outros países da América Latina houve golpes de Estado que convocaram eleições. Então não quero descartar nada, porque a janela eleitoral se fechou”, disse o opositor.

Segundo López, é preciso “avançar em muitos níveis distintos: um é o protesto nas ruas, e o outro é a coordenação com a comunidade internacional”. “Precisamos aumentar todas as formas de pressão. Qualquer coisa, qualquer coisa que deva acontecer para convocar uma eleição livre e justa.”

Invasão

Lilian Tintori, mulher de Leopoldo López, denunciou na quinta-feira que o serviço de inteligência da Venezuela (Sebin) entrou "bruscamente" em sua residência, violando sua privacidade, e afirmou que a custódia de seu marido deve ser fora de seu domicílio.

"Denuncio que integrantes do Sebin entraram bruscamente em nossa casa ontem à noite (quarta-feira), sem ordem legal e armados. Nossos filhos estão assustados", escreveu ela no Twitter.

Em outra mensagem, Lilian afirmou que é "ilegal e desumano que o Sebin esteja com armas dentro de casa", onde o casal vive com seus três filhos.

Ela também lembrou que López "está sendo monitorado" todos os dias e "tem tornozeleira eletrônica", por isso não haveria “nenhuma justificativa para esta ação que afeta três menores de idade". Segundo Lilian, o serviço de inteligência disse a ela que a ação é uma "nova ordem vinda de cima". / EFE

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