Edgard Garrido/REUTERS
Edgard Garrido/REUTERS

Líder opositor do México anuncia exílio após intimação judicial

Ricardo Anaya, que foi candidato presidencial, afirma ser perseguido pelo presidente Andrés Manuel López Obrador

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2021 | 21h01

CIDADE DO MÉXICO - O ex-candidato presidencial Ricardo Anaya, que disputou em 2018 a eleição contra o atual presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, anunciou nesta segunda-feira, 23, que ficará exilado no exterior em razão da “perseguição política” que sofre no país. 

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Anaya disse que recebeu uma intimação para comparecer, na quinta-feira, ao Centro de Justiça Criminal Federal do Presídio Norte, na capital mexicana. Embora não tenha especificado as razões da intimação, ele disse que os “crimes somariam 30 anos de prisão”. Ele disse que é inocente.

Também não se sabe de onde Anaya gravou o vídeo. Analistas mexicanos suspeitam que o ex-candidato presidencial do PAN já esteja fora do país, já que ele estaria correndo o risco de ser preso por se negar a cumprir a intimação. 

“Em tempos de autocratas como López Obrador, o exílio é a única alternativa para continuar lutando”', disse Anaya, um dos líderes do Partido da Ação Nacional (PAN), o mesmo dos ex-presidentes Vicente Fox e Felipe Calderón.

Anaya acusa o presidente mexicano de tentar trancafiá-lo na cadeia para impedi-lo de ser candidato nas eleições presidenciais de 2024. “O exílio é a única saída porque, se deixar ser preso por um autocrata, muitas vezes, significa perder a batalha”, afirmou.

Corrupção

No ano passado, o ex-diretor da estatal Petróleos Mexicanos (Pemex), Emilio Lozoya, que responde um processo judicial por ter recebido propina da construtora brasileira Odebrecht, apresentou queixa à Procuradoria Geral da República (PGR) contra Anaya. Ele acusa o ex-candidato presidente pelo PAN de ter recebido suborno para aprovar uma reforma no setor energético.

Alguns meios de comunicação locais indicaram que Anaya seria acusado de crimes de lavagem de dinheiro, suborno e associação criminosa. A Associated Press pediu aos colaboradores de Anaya e à PGR uma cópia da intimação e mais detalhes sobre os crimes pelos quais o opositor seria acusado, mas não recebeu nenhuma resposta.

López Obrador nega que pretenda encarcerar Anaya e lembrou nesta segunda-feira, durante encontro com jornalistas, que o caso é resultado de uma investigação contra Lozoya, que era aliado do ex-presidente Enrique Peña Nieto (2012-2018) e está em liberdade condicional.

“Ele (Anaya) está pensando que assim, me culpando, sentindo-se perseguido, vai resolver o problema. Não vai”, disse o presidente, que classificou as ações do opositor como “manobra política” e pediu que ele testemunhasse.

O ex-presidente Calderón criticou o processo contra Anaya. “O que está claro é que, no México, os criminosos são libertados e elogiados, enquanto os oponentes são perseguidos”, afirmou – uma referência aos elogios de López Obrador ao narcotraficante Miguel Ángel Félix Gallardo, na semana passada.

Os senadores do PAN também expressaram solidariedade a Anaya. “Estamos experimentando o autoritarismo. Este governo persegue Ricardo Anaya porque ele apontou as falhas de López Obrador”, disseram os senadores, em comunicado conjunto. / EFE e AP 

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