Líder opositor é nomeado premiê do Quênia

Odinga e o presidente Kibaki chegam a acordo sobre composição do governo de coalizão

AP, Reuters e AFP, Nairóbi, O Estadao de S.Paulo

14 de abril de 2008 | 00h00

O presidente queniano, Mwai Kibaki, anunciou ontem que o líder da oposição, Raila Odinga, será o primeiro-ministro do novo governo de coalizão, formado para pôr fim à crise surgida no Quênia após as eleições de 27 de dezembro.Em um discurso transmitido pela TV, Kibaki anunciou a designação de 40 ministros, um dia depois de se reunir a portas fechadas com Odinga, líder do opositor Movimento Democrático Laranja. Os dois haviam concordado em fevereiro em compartilhar o poder, depois que uma disputa sobre o ganhador das eleições presidenciais provocou violentos distúrbios e a morte de mais de 1.200 pessoas.Eles se haviam comprometido a anunciar um governo de coalizão em 6 de abril, após o Parlamento aprovar a divisão de poder, mas não conseguiram chegar a um acordo sobre a formação do gabinete, já que os dois lados queriam assegurar os ministérios mais poderosos.No discurso de ontem, Kibaki apresentou um gabinete nos qual os ministérios foram divididos em partes iguais entre seu Partido de Unidade Nacional e seus aliados, de um lado, e o partido de Odinga, do outro. A população estava cada vez mais impaciente com Kibaki e Odinga. Na semana passada ocorreram confrontos entre a polícia e moradores do bairro de Kibera, o maior e mais pobre do Quênia, que protestavam pela demora na conclusão de um acordo. No começo da semana passada, o governo dos EUA, tradicional aliado do Quênia, pedira a formação "sem demora" de um governo de coalizão e ameaçara "atuar" em caso de um novo fracasso.Os confrontos começaram depois que Odinga acusou Kibaki de manipular as eleições. A polêmica terminou em violência étnica - já que o presidente e o líder opositor são de etnias diferentes - e outros distúrbios que acabaram com a imagem do Quênia como um país estável, centro de comércio e pólo turístico.

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