Líder opositor Nawaz Sharif é posto sob prisão domiciliar no Paquistão

A detenção, que já tinha sido advertida pelas autoridades, acontece após a oferta de diálogo feita no sábado pelo presidente do país

EFE

15 de março de 2009 | 02h10

O líder da oposição paquistanesa, Nawaz Sharif, foi posto neste domingo sob prisão domiciliar durante três dias na véspera do protesto contra o Governo convocada em Islamabad, segundo fontes de seu partido citadas pelo canal "Dawn TV".

 

A detenção, que já tinha sido advertida pelas autoridades, acontece após a oferta de diálogo feita sábado pelo presidente do país, Asif Ali Zardari.

 

Além de propor-lhe negociar fórmulas para restaurar a alta judicatura do país, como reivindica Sharif, o Governo anunciou que apelará à Corte Suprema da decisão que desabilitou Nawaz e seu irmão, Shahbaz, para ocupar cargos públicos.

 

Apesar da oferta de conciliação, as autoridades seguiram adiante com suas medidas para evitar o protesto de advogados e ativistas opositores convocado para partir de segunda-feira em Islamabad.

 

Nawaz Sharif, seu irmão, os líderes dos outros dois partidos convocantes do protesto e destacados advogados receberam esta madrugada ordem de prisão domiciliar, segundo o canal "Geo TV".

 

Shahbaz Sharif, no entanto, conseguiu se deslocar esta manhã até a casa de um companheiro de partido em Rawalpindi, cidade vizinha de Islamabad, em uma caravana de veículos com escolta, segundo imagens que mostraram os canais paquistaneses.

 

Segundo um porta-voz policial, a Polícia comunicou a Shahbaz a ordem de detenção na residência de Tanveer Khan em Rawalpindi. O ex-presidente da Associação de Advogados do Tribunal Supremo Aitzaz Ahsan, um dos líderes "dissidentes" do governamental Partido Popular (PPP), também recebeu a ordem, mas não se encontrava em seu domicílio de Lahore (Punjab) quando chegou a Polícia, segundo disse em declarações transmitidas pela "Dawn TV".

 

Ahsan assegurou que segue adiante com seus planos de manifestar-se perante o Tribunal Superior de Lahore. "Pode ser que me detenham, mas prefiro que o façam na rua", declarou.

 

Este representante da classe jurídica paquistanesa condenou o Governo por bloquear todos os acessos a Islamabad com grandes contêineres para impedir a passagem da "longa marcha" que na  quarta-feira passada começou em várias cidades do Paquistão.

 

Desde terça-feira, as autoridades efetuaram mil detenções de advogados e ativistas da oposição, em virtude de uma normativa imposta temporariamente que proíbe as manifestações.

 

Segundo Geo, esta madrugada foram efetuadas várias dúzias mais de detenções de opositores.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.