AP Photo/Ariana Cubillos
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Líder opositor preso não pode se candidatar, diz  procuradora-geral da Venezuela

López não pode concorrer até 2017; coalizão opositora havia anunciado nome de líderes para as eleições legislativas

O Estado de S. Paulo

05 Março 2015 | 08h28


CARACAS - A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, afirmou na quarta-feira 4 que Leopoldo López, um dos nomes mais emblemáticos da oposição, não poderá se candidatar para as próximas eleições parlamentares.

Um dia depois que a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) anunciou a candidatura de López, a procuradora-geral garantiu que o político não poderá postular seu nome nessa ou em outra eleição até 2017, quando, segundo ela, vence o seu período de inabilitação. "Pelo menos até 2017 não poderá ser candidato."

López era prefeito do município de Chacao, na região metropolitana de Caracas, e foi acusado pela Controladoria de receber dinheiro de uma gerência da companhia petrolífera estatal PDVSA, que era dirigida por sua mãe, Antonieta Mendoza, para fundar um partido. Ele também é acusado de usar a verba orçamentária, que deveria ser destinada à prefeitura, "para outras coisas".

O opositor foi indiciado por vários crimes relacionados com os protestos antigovernamentais do ano passado. Seu nome, junto com o de María Corina Machado e Antonio Ledezma, foram os primeiros revelados pela coalizão de oposição para concorrerem a uma cadeira na Assembleia Nacional, o Parlamento do país.

Sobre o caso de María Corina, investigada pela Procuradoria por seu suposto envolvimento em um plano para assassinar o presidente, que foi denunciado pelo próprio Maduro, Luisa afirmou que as investigações ainda estão em processo e à espera do ato conclusivo.

Sobre Antonio Ledezma, prefeito metropolitano preso no mês passado, a procuradora-geral disse que não conhece as consequências de sua postulação.

A Venezuela deve escolher os mais de 160 representantes da Assembleia Nacional, atualmente com maioria chavista, no segundo semestre de 2015. Algumas vozes da oposição consideram que o governo acentuou intencionalmente a crise política no país com a intenção de ter um motivo para anular as eleições e, assim, manter a maioria governista.

Maduro assegurou na quarta que "chova, troveje ou relampeie" a Venezuela realizará as eleições parlamentares previstas para o final do ano e afirmou que o chavismo obterá "uma grande vitória". "Mesmo que tenhamos que enfrentar um cenário que não queremos e faremos o impossível para evitá-lo, como um golpe de Estado, faríamos o necessário para realizar as eleições parlamentares."

Vários dirigentes opositores, entre eles o ex-candidato presidencial Henrique Capriles, advertiram nos últimos dias que o governo poderia suspender as eleições perante a queda da popularidade do presidente e o descontentamento pela crise econômica. /EFE

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