Líder opositor rejeita reunião com o presidente do Quênia

Odinga diz que negociará com Kibaki somente com mediação internacional; reunião aconteceria na sexta-feira

Agências internacionais,

08 de janeiro de 2008 | 13h06

O líder da oposição queniana, Raila Odinga, rejeitou nesta terça-feira, 8, um convite para manter uma reunião bilateral com o presidente Mwai Kibaki na sexta-feira. Em entrevista coletiva, Odinga qualificou a reunião como "um ato secundário" e afirmou que só conversará com Kibaki como parte das gestões de mediação internacionais para resolver a crise política e social do país. Veja também:Quenianos ainda encontram corpos após massacreEntenda a crise no Quênia O convite foi feito por Kibaki na segunda-feira, a fim de avançar nos passos que permitam a paz e a reconciliação no Quênia após os distúrbios que começaram após as últimas eleições e que deixaram 500 mortos, segundo cálculos oficiais. Além de Odinga, estavam convidados dirigentes de seu partido político e representantes de igrejas. "Não assistiremos às conversas de sexta-feira", afirmou Odinga em entrevista coletiva na sede do Movimento Democrático Laranja (ODM). "Só se trata de uma atração secundária", acrescentou o líder da oposição, que reivindica sua vitória nas eleições presidenciais de 27 de dezembro, cujo ganhador oficial foi Kibaki, no poder desde 2002. Odinga disse estar disposto a se reunir com Kibaki somente como parte das gestões de mediação que serão lideradas pelo chefe de Estado de Gana e presidente rotativo da União Africana, John Kufuor. Ao ser perguntado sobre a gestão de Kufuor, Odinga disse que o governo está desprezando a chegada do governante, porque, segundo ele, pensa que o Quênia não está em estado de guerra e não necessita de uma mediação internacional.  A onda de violência que abala o Quênia desde as eleições presidenciais do dia 27 já causou a morte de mais de mil pessoas, segundo o líder da oposição, Raila Odinga, que contesta o resultado da votação - da qual o presidente Mwai Kibaki saiu vencedor e foi reeleito. O número é o dobro da estimativa do governo, que elevou para 500 os mortos nos confrontos. Segundo organizações humanitárias e a polícia, o número de vítimas é maior. Os confrontos entre rivais políticos e étnicos - que arrastaram o país para sua pior crise desde a independência do Reino Unido, em 1963 - também obrigaram mais de 255 mil pessoas a fugir de suas casas por causa da violência (leia mais ao lado).  Derrotado por uma diferença de 2 pontos percentuais, Odinga, do Partido Democrático Laranja, afirma que as eleições foram fraudadas e já disse que não vai negociar com o governo se Kibaki, que propôs um governo de união nacional, não deixar o poder. O presidente é da etnia kikuyu, que é maioria no país, enquanto Odinga pertence ao grupo rival dos luos.

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