Líder opositor se refugia na embaixada da Holanda no Zimbábue

Polícia invade sede do partido opositor e prende 60; Brasil suspende envio de observadores para eleições

Associated Press e Efe,

23 de junho de 2008 | 11h52

O Ministério das Relações Exteriores holandês informou nesta segunda-feira, 23, que o líder oposicionista do Zimbábue Morgan Tsvangirai se refugiou na embaixada da Holanda em Harare. A confirmação foi feita no mesmo dia em que a polícia local realizou uma operação em escritórios da oposição e prendeu cerca de 60 pessoas, segundo um porta-voz do partido.   Veja também:   Governo insiste em realizar segundo turno   Candidato de oposição abandona o pleito   EUA querem levar caso do Zimbábue à ONU    Líder do Movimento para a Mudança Democrática (MMD), Tsvangirai se retirou da disputa pela presidência zimbabuana no domingo. Ele alegou que não era possível ocorrer uma eleição justa e livre em meio ao clima de violência do país. Tsvangirai enfrentaria nesta sexta-feira no segundo turno o atual presidente zimbabuano, Robert Mugabe, há 28 anos no poder. O governo já informou que a eleição ocorrerá normalmente no dia previsto.   Segundo um porta-voz do MMD, Nelson Chamisa, foram detidas crianças e mulheres na operação policial. Várias pessoas se refugiaram em instalações do partido oposicionista, por medo da violência. Foram levados também móveis e computadores, segundo Chamisa. A polícia ainda não havia se pronunciado sobre o caso.   Em uma operação semelhante em abril, policiais prenderam várias pessoas, por suposta responsabilidade pela violência após o primeiro turno eleitoral. Uma corte liberou posteriormente esses detentos.   Também nesta segunda-feira, Roy Bennett, alto membro do MMD, disse esperar que uma disputa justa ocorra com o apoio de líderes africanos. Bennett, tesoureiro da sigla, pediu à Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral e à União Africana que negociem a formação de um governo de transição.   O MMD está disposto a formar um governo com membros moderados do partido da situação, o ZANU-PF, porém sem a participação de Mugabe. "Mesmo em um governo de transição, nós não vemos nenhum espaço para ele", disse Bennett.   O líder oposicionista seguirá refugiado na embaixada da Holanda em Harare, disse à Agência Efe um porta-voz do principal partido opositor do Zimbábue. "Tsvangirai também passará esta noite na embaixada holandesa", disse George Sibotshiwe, encarregado de comunicações no escritóriode Tsvangirai, que não quis responder se outros diretores do MDC, incluindo ele mesmo, buscarão refúgio nessa ou em outras delegações diplomáticas na capital zimbabuana   Críticas   Nesta segunda-feira, o ministro britânico para África e Ásia, Mark Malloch-Brown, fez duras críticas a Mugabe. Para ele, o presidente do Zimbábue não tem mais legitimidade. "Nós não aceitamos o status quo", afirmou Malloch-Brown. "Nós não esperamos que a comunidade internacional aceite o status quo", avaliou. O ministro do Reino Unido completou dizendo que "Mugabe não é mais o legítimo líder desse país".   Malloch-Brown pediu ainda um "aprofundamento" das sanções internacionais ao Zimbábue. Antes, Michael Ellam, o porta-voz do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, comentou o caso. Segundo Ellam, Brown estava desapontado com "a escala de violência e intimidação que limitou a capacidade de Tsvangirai para fazer campanha".   O chefe da política externa da União Européia, Javier Solana, condenou o "nível inaceitável de violência" e intimidação no Zimbábue. Solana afirmou que o pleito se transformou em uma "caricatura de democracia", além de definir como "compreensível" a desistência de Tsvangirai.   O primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, também pediu sanções internacionais ao Zimbábue. O governo australiano já impõe restrições ao país, porém anunciou que pode ampliá-las e exortou outros países a fazerem o mesmo.   O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, afirmou que Londres não reconhece como "legítimo" o regime de Mugabe e pediu aos demais países que façam o mesmo. Para ele, o "atual governo, sem maioria parlamentar, tendo perdido o primeiro turno das eleições presidenciais e mantendo o poder só através de violência e intimidação, é um regime que não deve ser reconhecido por ninguém".   Antes do primeiro turno de 29 de março a campanha foi realizada em geral de forma pacífica. Porém depois disso cresceu a violência e a intimidação, especialmente nas zonas rurais. Grupos independentes de direitos humanos afirmam que pelo menos 85 pessoas morreram e dezenas de milhares tiveram que deixar suas casas. A maioria das vítimas era formada por partidários da oposição.       Missão brasileira   A missão de observadores brasileiros que partiria no domingo para acompanhar o segundo turno das eleições no Zimbábue suspendeu a viagem depois que o candidato da oposição, Morgan Tsvangirai, anunciou que desistiu de concorrer. Ele disputava a Presidência com o atual presidente Robert Mugabe.   A comitiva brasileira seria formada pelo embaixador Virgílio Moretzohn, por um diplomata da área e também pelo senador Virgínio de Carvalho (PSC-SE). Segundo a assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores, a missão foi suspensa até que se defina o quadro eleitoral no país. Assim como no primeiro turno, quando uma comitiva brasileira acompanhou o pleito, a missão que partiria para Harare, capital do país, foi convidada pelo governo do Zimbábue. Em março, os observadores do Brasil foram o embaixador brasileiro no Zimbábue, Raul de Taunay e o deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP).   (Com Agência Brasil)   Matéria atualizada às 15h15.  

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