Marco Bello/Reuters
Marco Bello/Reuters

Líder opositor venezuelano é denunciado ao Ministério Público por caso Odebrecht

Político governista apresentou a denúncia em nome da ONG Frente Anticorrupção acusando Henrique Capriles de ter recebido US$ 3 milhões da empreiteira

O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2017 | 16h59

CARACAS - Um dos principais líderes da oposição na Venezuela, o governador de Miranda, Henrique Capriles, foi denunciado ao Ministério Público na sexta-feira 24 por suspeita de ter recebido US$ 3 milhões em subornos da empreiteira brasileira Odebrecht.

"Estamos pedindo que a Procuradoria ordene uma medida cautelar para alienar e onerar os bens que sejam propriedade do senhor Capriles provenientes do delito, e seja declarada medida privativa de liberdade", afirmou o político governista Luis Tellerías, em nota à imprensa. Tellerías apresentou a denúncia em nome da ONG Frente Anticorrupção.

No dia 15, a Procuradoria informou que a Justiça venezuelana havia congelado as contas bancárias e os ativos da Odebrecht na Venezuela, depois do escândalo de subornos da empreiteira envolvendo funcionários de governos em vários países da América Latina.

Uma reportagem do jornal americano The Wall Street Journal vinculou Capriles ao escândalo Odebrecht e Tellerías teria dado novas informações ao apresentar a denúncia. 

À agência Efe, Tellerías afirmou que a ONG acredita que Capriles tenha recebido dinheiro da Odebrecht para a campanha presidencial de 2013 e para o partido Primero Justicia. 

Em janeiro, o Ministério Público venezuelano anunciou ter solicitado à Interpol uma ordem de captura contra uma pessoa, mas não divulgou seu nome. Sem mencionar o nome de Capriles, o presidente Nicolás Maduro havia dito no início deste mês que havia "um governador envolvido" no escândalo da Odebrecht que poderia ser preso.

Capriles se defendeu em diversas ocasiões das acusações e no dia 15 afirmou que nunca assinou contratos com a Odebrecht enquanto ocupava algum cargo público. O opositor assegura que as contratações com a empreiteira foram feitas durante a gestão de Diosdado Cabello, deputado e um dos líderes do chavismo, como governador de Miranda (2004-2008). 

"No Brasil é feita uma investigação e foi ordenado a um banco da Suíça entregar as movimentações sobre os depósitos da Odebrecht a Capriles", afirmou Tellerías. Segundo a declaração do ex-presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, a Venezuela é o segundo país da América Latina onde houve mais pagamento de subornos, US$ 98 milhões. /AFP e EFE

 

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