AFP PHOTO / JUAN BARRETO
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Líder opositor venezuelano foge de prisão domiciliar e vai para a Colômbia

Antonio Ledezma ingressou no país vizinho por via terrestre e pediu que o governo de Juan Manuel Santos ajude a população da Venezuela; ele não revelou seus próximos passos, mas segundo o diário ‘El Nacional’ o político 'teria como destino um país europeu'

O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2017 | 12h55
Atualizado 17 Novembro 2017 | 14h09

CARACAS - O prefeito da região metropolitana de Caracas, Antonio Ledezma, fugiu da prisão domiciliar em que se encontrava desde 2015 e deixou a Venezuela. O Departamento de Migração da Colômbia confirmou a entrada do político em seu território nesta sexta-feira, 17.

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"Na manhã de hoje ingressou no país, proveniente da Venezuela, o senhor Antonio Ledezma", indicou o departamento em comunicado. "(Ledezma) fez o trâmite migratório correspondente com as autoridades colombianas, de acordo com as normas de migração."

Segundo o organismo colombiano, a entrada do político no país ocorreu por via terrestre na Ponte Internacional Simón Bolívar, no povoado de Vila do Rosario, perto da cidade de Cúcuta, que faz fronteira com a Venezuela.

Em sua primeira declaração em território colombiano, Ledezma pediu que o governo de Juan Manuel Santos ajude a população da Venezuela. "Minha voz se une a um coral de vozes de venezuelanos que pediram ajuda da Colômbia", disse o líder opositor no aeroporto de Cúcuta.

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Ele não revelou, no entanto, seus próximos passos. "Minha bússola tem vários destinos", disse. O jornal venezuelano El Nacional afirmou que Ledezma, fundador do partido Aliança Bravo Povo (ABP), "teria como destino final um país europeu".

O diário acrescentou que vários funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), corporação que vigia a residência de Ledezma há dois anos, se encontram nos arredores da casa do opositor.

Ledezma, que foi detido em 19 de fevereiro de 2015 e enviado à prisão militar de Ramo Verde, nos arredores de Caracas, foi levado à sua casa por razões de saúde dois meses depois, onde era mantido preso e impossibilitado de expressar-se publicamente.

O prefeito da região metropolitana foi acusado pelos crimes de conspiração e formação de quadrilha pelo Ministério Público, mas nunca foi julgado. Além disso, foi suspenso do seu cargo, o posto de maior peso político no país depois da presidência da República.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, reagiu à notícia através da sua conta no Twitter. "Minha saudação a Antonio Ledezma, referência moral da Venezuela, agora livre para liderar a luta no exílio para a instauração do sistema democrático no seu país", escreveu o uruguaio na rede social. / EFE, REUTERS e AFP

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