Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Líder opositora denuncia autoridades venezuelanas por difamação e calúnia

María Corina Machado entrou com uma ação contra funcionários de alto escalão do governo na Procuradoria-Geral; deputada cassada rebateu acusações chavistas de que planejava golpe

O Estado de S. Paulo,

29 Maio 2014 | 23h34

CARACAS - A líder opositora venezuelana María Corina Machado entrou na quinta-feira, 29, com uma ação na Justiça contra o que chamou de "delitos do chavismo". Na quarta-feira, autoridades do governo acusaram-na de liderar planos para depor o presidente Nicolás Maduro num complô do qual tomariam parte autoridades dos EUA.

A deputada cassada, que foi crucial na convocação dos protestos de rua contra Maduro, desdenhou das acusações, que qualificou de "infâmia" em sua conta no Twitter.

María Corina foi na tarde desta quinta à Procuradoria-Geral da República, em Caracas, acompanhada por seus representantes legais e partidários políticos. Na denúncia, ela acusa autoridades do governo dos crimes de falsificação de provas, difamação e calúnia, espionagem, incitação pública, violação das liberdades políticas e associação para cometer crime.

"O que existe hoje na Venezuela são as organizações criminosas que foram se apropriando das instituições públicas. Há um grupo de verdadeiros criminosos que tomou o poder e usa todos os recursos do Estado para negar as liberdades econômicas e políticas a todos os cidadãos", declarou ela por meio de comunicado.

O prefeito de Caracas, Jorge Rodríguez, denunciou na quarta-feira a existência de um plano para "executar um golpe de Estado", além de assassinar Maduro e outras autoridades do governo, no qual María Corina estaria envolvida. Como prova, Rodríguez apresentou mensagens de correio eletrônico que ela compartilhou com algumas pessoas. A ex-deputada negou a autenticidade das provas.

"Todas as mensagens e cada uma dessas palavras são falsas e completamente inventadas", declarou María Corina, após as denúncias. "Não quero que nada de mal ocorra ao presidente. Apenas quero que renuncie."

Os chavistas envolveram também o embaixador americano em Bogotá, Kevin Whitaker, nas denúncias. Em um dos e-mails, Whitaker teria confirmado o apoio e indicado futuros passos.

María Corina, no entanto, admitiu ter se reunido com o diplomata. "Tive reuniões com ele quando tinha funções no Departamento de Estado, assim como também tive com sua chefe, Roberta Jacobson", disse ela, que perdeu o mandato depois de aceitar representar o Panamá na Organização dos Estados Americanos, o que é vetado pela Constituição venezuelana.

Em visita oficial à Rússia, o ministro das Relações Exteriores, Elías Jaua, ouviu do chanceler russo, Serguei Lavrov, um discurso de rejeição à proposta de sanções contra a Venezuela pelos EUA. "Partimos do princípio de que todas as questões devem ser decididas sem nenhuma interferência exterior", disse Lavrov. / EFE e AP

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