Líder palestino faz nova tentativa de conter extremistas

O ministro de Interior da Autoridade Palestina, Abdel Razek Yehiyeh, reuniu-se com representantes de 12 facções palestinas rivais numa tentativa de criar uma frente unida e fazer com que grupos extremistas suspendam os ataques contra Israel. Porém, a reunião acabou sem nenhum progresso aparente e o grupo islâmico Hamas reiterou sua oposição a um cessar-fogo. Yehiyeh fazia uma nova tentativa de obter a aceitação dos mais radicais a um manifesto comum que estabeleceria a base para novas negociações de paz com Israel. Após uma reunião de cerca de três horas, ele se recusou a conversar com jornalistas. Participantes comentaram que o clima no local era tenso, e nenhum pacto foi alcançado. As conversações internas foram rompidas no início do mês, quando o Hamas e a Jihad Islâmica vetaram cláusulas que pediam o fim dos ataques contra Israel e o reconhecimento do direito de existência do Estado judeu. O documento original pedia o estabelecimento de um Estado palestino independente na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e em Jerusalém Oriental, o que significa a aceitação de Israel, dentro das fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, travada em 1967. Um representante do Hamas na reunião realizada hoje na Faixa de Gaza comentou, pouco após o encontro, que seu grupo continuava firme em sua objeção ao plano e sua exigência de que toda a Palestina histórica seja passada para as mãos dos árabes. "Nós repetiremos nossa posição e explicaremos o motivo", disse Mohammed Zahar. Saleh Ziddane, da esquerdista Frente Democrática para a Libertação da Palestina, foi mais pragmático. "Estamos trabalhando juntos para superar qualquer obstáculo ao manifesto e a este programa nacional", declarou. Ao chegar ao local da reunião, Yehiyeh disse não esperar um acordo imediato. "Eu comunicarei a eles o que vem acontecendo nas negociações" com os israelenses, afirmou. "Não esperarei pelas respostas." Ele disse que não planeja nenhuma reunião individual com o líder do Hamas tão cedo, mas espera manter esse tipo de contato num futuro próximo. Yehiyeh falou aos representantes palestinos sobre o plano segundo o qual israelenses e palestinos utilizarão a Faixa de Gaza e a cidade cisjordaniana de Belém como teste de segurança. Pelo acordo, os soldados de Israel devem recuar e transferir aos oficiais palestinos a responsabilidade sobre a segurança nessas áreas. Ismail Hanieh, um delegado do Hamas, qualificou o plano como inaceitável. "O povo de Gaza não pode ter liberdade enquanto a população da Cisjordânia sofre", diz ele. "A resistência deve prosseguir até que a ocupação israelense tenha fim." Por sua vez, o Conselho de Segurança Nacional de Israel recomendou que as fronteiras sejam rapidamente estabelecidas - com ou sem a entrada dos palestinos em negociações de paz - para melhorar as condições de segurança. De acordo com a imprensa israelense, o conselho acredita que as fronteiras devem ser acertadas de acordo com a demografia, para manter a maior parte da população palestina fora de Israel, o que "facilitaria a proteção aos israelenses contra eventuais ataques". O relatório do conselho foi entregue ao primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon. Porém, seus assessores disseram a jornalistas que ele não planeja adotar as recomendações e não levaria a questão a debate em seu gabinete.

Agencia Estado,

22 Agosto 2002 | 18h32

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