Líder palestino indicia Israel durante seu julgamento

Um líder da intifada palestina, Marwan Bargouthi, aproveitou hoje seu julgamento por assassinato num tribunal de Tel Aviv para criticar a ocupação por Israel da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, provocando uma briga de socos na audiência, enquanto sua equipe de defesa distribuía um "indiciamento" de Israel e seu advogado judeu o comparava com Moisés. Barghouti, um destacado dirigente na Cisjordânia do movimento Fatah, do líder Yasser Arafat, é a mais proeminente figura palestina a ser levada a julgamento em Israel.Israel acusa Barghouti de tramar atentados terroristas que mataram 26 israelenses. Barghouti alega que é um político e não está vinculado à violência. "Seremos vitoriosos contra a ocupação", gritou Barghouti, antes de ser retirado algemado do recinto. Ele foi retirado e trazido de volta diversas vezes por interromper os procedimentos da corte. Advogados de Barghouthi disseram ao painel de três juízes que o tribunal não tinha jurisdição sobre seu cliente, porque ele é um membro eleito do Parlamento palestino.O juiz-chefe, Zvi Garfinkel, deu aos dois lados seis semanas para preparar os argumentos sobre a jurisdição da corte e marcou uma nova audiência para 21 de novembro. Desafiando gritos de zombaria de parentes de israelenses mortos em ataques palestinos, Barghouti, de 43 anos, levantou o punho fechado e fez o "V" da vitória ao entrar na sala do tribunal, acorrentado e algemado. "Assassino", gritou um manifestante. "Você matou meu filho", reagiu outro. "Sou um lutador da liberdade", respondeu Barghouti. "A paz vencerá."Do lado de fora, partidários de Barghouti distribuíam um documento apresentado como um "indiciamento" de 54 crimes supostamente cometidos por Israel nos território palestinos - 30 violações de tratados internacionais, incluindo a Convenção de Genebra, crimes de guerra, crimes contra a humanidade, negar assistência médica a civis, expulsar palestinos e demolir suas casas, destruir propriedades, confiscar água, torturar e negar às crianças e adolescentes palestinos o direito à educação. Houve choques entre israelenses e palestinos.O mais novo advogado de Barghouti, Shamai Leibowitz, disse à corte que o julgamento de Barghouti viola a lei judaica e é imoral. Leibowitz, um judeu ortodoxo e neto de um famoso estudioso do Torá, o falecido Yeshayahu Leibowitz, apresentou como evidência uma página do livro do Exodus e disse ao júri que Barghouti agia como Moisés quando matou um egípcio por agredir um escravo judeu. Este foi um ato de resistência à ocupação egípcia, alegou Leibowitz. "Sim, mas Moisés não matou dois outros egípcios", reagiu o juiz Zvi Gurfinkel. Apesar de Barghouti ser o réu no caso, o indiciamento israelense acusa Arafat de ter consciência de suas ações, estabelecendo Arafat como o verdadeiro alvo do processo do governo israelense.

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