''Líder palestino tenta seduzir público dos EUA com imprecisão''

Mahmoud Abbas, em artigo reproduzido ontem pelo Estado, comete uma série de imprecisões, dificultando ainda mais a tão ansiada reconciliação entre palestinos e israelenses. Tal artigo, originalmente publicado no New York Times, almejou influenciar o público norte-americano. É fundamental para Abbas o apoio dos EUA à criação de um Estado palestino independente em setembro, durante a reunião do Assembleia-Geral da ONU. Contudo, é com Israel que a paz terá de ser assinada.

Jorge Zaverucha, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2011 | 00h00

O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu já declarou ser favorável à criação de um Estado palestino independente. Mediante, todavia, algumas garantias. A principal, é que a entrega de territórios não seja usada para nova guerra de destruição contra Israel. Os exemplos são frescos. Israel retirou-se da Faixa de Gaza, em 2005, e o Hamas passou a atacar o Estado judeu. Recentemente, no Egito, há forças políticas querendo anular o Acordo de Paz de 1979. Ou seja, Israel devolve territórios, mas não consegue a paz.

Abbas usa o termo "nakba", que significa catástrofe ou desastre. Refere-se à independência de Israel. Como se tivesse ocorrido um desastre natural, em vez de um erro de cálculo dos países árabes. Que os levou a uma derrota política e militar. Inconformados com a Resolução da ONU de 1947, que preconizou a criação de um Estado judeu e outro árabe, declaram guerra. O que seria o novo Estado árabe foi retalhado em três partes pelo Egito (que conquistou Gaza), Jordânia e Israel. Segundo a mencionada resolução, Jerusalém seria internacionalizada e ficaria sob administração da ONU. A Jordânia, todavia, anexou-a. Além de ter promovido uma limpeza étnica expulsando os judeus da cidade. Foram, até mesmo, proibidos de rezar no Muro das Lamentações, sítio milenarmente sagrado para a religião judaica. Historicamente, são as nações agressoras perdedoras de guerras, as que cedem território aos vencedores. Israel venceu guerras defensivas tanto em 1948 como em 1967. Contudo, Abbas estipula o retorno de Israel à linha de separação de 1967. Para Israel essa é uma " fronteira Auschwitz" dada a vulnerabilidade de sua defesa em caso de novo ataque árabe. Nenhuma palavra de Abbas sobre os refugiados judeus árabes, vários deles vivendo no Brasil. Foram expulsos de países árabes pelo simples fato de serem judeus. Já os refugiados palestinos são fruto de uma guerra entre dois povos. Urge uma solução para ambos os casos.

É DOUTOR EM CIÊNCIA POLÍTICA, PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO E AUTOR DO LIVRO "ARMADILHA EM GAZA - FUNDAMENTALISMO ISLÂMICO E GUERRA DE PROPAGANDA CONTRA ISRAEL"

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