Líder paraguaio submeterá ao Congresso a adesão de Caracas

Enquanto os países do Mercosul sacramentavam ontem em Brasília a entrada de Caracas no bloco, o presidente do Paraguai, Federico Franco, anunciava que submeterá a questão da integração venezuelana ao Congresso de Assunção - onde deve ser amplamente rejeitada. A medida tem apenas peso simbólico, pois o Paraguai está suspenso do Mercosul, mas demonstra o grau de irritação das autoridades paraguaias com o que veem como um "atropelo ilegal" por parte dos grandes da região, Brasil e Argentina.

ASSUNÇÃO, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2012 | 03h02

"Estamos enviando (o texto da adesão venezuelana ao Mercosul) para que o Congresso possa dar o trâmite necessário", afirmou Franco. Antes, ele dissera que a entrada da Venezuela era "um show para ajudar eleitoralmente o (presidente Hugo) Chávez".

No início de julho, a Câmara dos Deputados havia solicitado ao presidente que fizesse isso. "Temos de demonstrar aos brasileiros e argentinos o que realmente pensamos dessa manobra ilegal que fizeram", disse ontem ao Estado um deputado do Partido Colorado.

Deposto no dia 22 em um processo de impeachment de 36 horas, o ex-presidente Fernando Lugo chegou a submeter a entrada da Venezuela ao Congresso, mas, ao ver que o texto seria derrotado por maioria, desistiu. "Tiraram o primo pobre para colocar o tio rico", resumiu o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, Martin Saneman.

O sociólogo e analista político José Carlos Rodríguez pondera que as últimas pesquisas de opinião no Paraguai - nas quais 55% dos entrevistados consideram correta a destituição de Lugo e 44% disseram ter havido uma "ruptura institucional" - indicam um quadro nebuloso sobre a legalidade da destituição de Lugo.

O Paraguai deverá voltar ao bloco apenas em julho de 2013, depois das eleições de abril. Sem os paraguaios, em dezembro, assumirá a presidência novamente o Uruguai e, em julho, a Venezuela. / R.S.

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