Alejandro Ernesto/Efe
Alejandro Ernesto/Efe

Líder Payá é enterrado em Havana e dissidência denuncia prisões no funeral

Mais de 300 pessoas acompanharam o corpo do opositor cubano após o velório

Efe,

24 de julho de 2012 | 16h15

HAVANA - O opositor cubano Oswaldo Payá, morto no domingo em um acidente de trânsito, foi enterrado nesta terça-feira, 24, no Cemitério Colón de Havana, onde a dissidência interna denunciou várias prisões após o funeral. Mais de 300 pessoas acompanharam o corpo nos últimos momentos depois do velório oficiado pelo cardeal cubano, Jaime Ortega, na igreja que Payá costumava frequentar.

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Após o ato religioso, quando os presentes começaram a ir para o cemitério, ocorreram várias detenções ao redor da igreja, entre elas a do jornalista independente Guillermo Fariñas, informou Elizardo Sánchez, líder da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN). O grupo registrou, até o momento, entre seis e dez detenções, embora não descarte que possa ter havido mais.

Já no Cemitério de Colón, familiares, amigos, religiosos e membros da dissidência acompanharam o cortejo fúnebre da entrada do cemitério até a câmara mortuária familiar, com cantos religiosos e rezas, enquanto alguns faziam sinais da liberdade.

Dezenas de pessoas reunidas na capela principal do cemitério despediram-se de Payá com um aplauso ao fim da breve cerimônia celebrada pelos bispos auxiliares de Havana monsenhor Alfredo Petit e monsenhor Juan de Dios Hernández, e pelos amigos da família.

A viúva de Payá, Ofelia Acevedo, agradeceu na despedida pela companhia e colaboração dos "irmãos da oposição" do ex-líder do Movimento Cristão de Libertação (MCL), assim como aos companheiros na organização e aos colegas de trabalho do marido. "Seu trabalho silencioso com o povo de Cuba tornou possível o Projeto Varela, fez acontecer o Projeto Heredia e continuará dando frutos até conseguir finalmente que os cubanos conquistemos nossos direitos", afirmou Ofelia.

O opositor, que morreu aos 60 anos, foi levado ontem de Bayamo, onde no domingo aconteceu o acidente de trânsito, até Havana. Harold Cepero, de 31 anos, também cubano e membro do MCL, foi a outra vítima morta no acidente.

Payá foi o primeiro opositor cubano que recebeu o prêmio Sájarov do Parlamento Europeu em 2002 após lançar o Projeto Varela, uma proposta de transição democrática na ilha que o líder levou ao Parlamento com milhares de assinaturas.  

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