Líder piqueteiro está criando o PT de Buenos Aires

O líder piqueteiro Luis D´Elia, da entidade Federação Terra e Casa, começa a realizar hoje o trâmite para oficializar a criação do Partido de los Trabajadores (Partido dos Trabalhadores), o PT argentino. Fã do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, D´Elia, de 45 anos, é pai de cinco filhos dos quais um deles com o nome de Lula. Deputado federal e candidato a governador da província de Buenos Aires, ele acha que o PT argentino é uma "alternativa" à atual política realizada no país. Na sexta-feira, o partido será registrado na justiça eleitoral. O gesto simboliza a onda do ?lulismo? argentino, que nasceu na campanha presidencial do então candidato brasileiro, quando os presidenciáveis argentinos começaram a tentar vincular sua imagem à dele. O piqueteiro acha que os eleitores da Argentina desejam contar com este PT local. Piqueteiro é o nome dado aos que integram as diferentes entidades, cujo princípio está baseado no velho comunismo, que bloqueiam o trânsito em nome de trabalho e da ampliação dos benefícios dados aos desempregados, através de recursos do Banco Mundial (Bird). Estes chamados "planos chefes e chefas de lares" atendem hoje a cerca de dois milhões de desocupados que recebem 150 pesos mensais. Só no ano passado, foram realizados dois mil piquetes, 300% a mais que no ano anterior, segundo dados do cientista político Julio Burdman, do Centro de Estudos União para a Nova Mayoria. Hoje, durante café da manhã com a imprensa estrangeira, a presidenciável Elisa Carrió, mais cautelosa que nunca, disse que "não faz o menor sentido" a criação do PT argentino. "Nós não somos o Brasil. Isso é uma falácia. A história argentina é muito diferente da história e brasileira", afirmou. Para ela, que defende medidas como o programa Fome Zero, o Brasil tem ainda uma trajetória de respeitar contratos, o que não ocorre no país vizinho. Por isso mesmo, Elisa Carrió entende que o governo Lula respeite o acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Atitude que não pretende repetir na Argentina, caso chegue a ocupar a Casa Rosada, depois das eleições marcadas para 27 de abril. Quando perguntada se concordava com as medidas do governo brasileiro, como a de ter aumentado recentemente as taxas de juros, ela respondeu: "Devemos ter muito cuidado com a legitimidade. Ninguém tem um cheque em branco, nem mesmo o presidente mais votado da América Latina, que é o presidente Lula". Carrió, em queda nas pesquisas de opinião, afirmou duvidar que a posse do sucessor do presidente Eduardo Duhalde será no dia 25 de maio, como está previsto. Ela acha que a eleição, no segundo turno, em maio, será entre ela e o ex-presidente Carlos Menem. Mas especula que este resultado poderia ser "impugnado", adiando o segundo turno e, conseqüentemente, a posse do novo presidente. A candidata do partido ARI (Ação para uma República de Iguais) ressaltou que, caso seja presidente, vai respeitar o pagamento àqueles investidores que apostaram nos papéis da dívida pública argentina. Eles não recebem pelo que investiram desde a declaração de moratória, em dezembro de 2001. Mas Elisa Carrió afirmou que não terá a mesma atitude quando chegar a hora de sentar-se para conversar com o FMI. "Vai ser uma longa e difícil negociação", avisou.

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