Líder preso pode virar peça-chave da política palestina

Marwan Barghouthi, líder da ala mais jovem do Fatah, contrária à "velha guarda" do movimento nacionalista do presidente Mahmoud Abbas, pode emergir das urnas na quarta-feira como a peça-chave da política palestina. Detalhe: ele está preso em Israel desde 2002. Barghouthi é o número um da lista do Fatah nas segundas eleições legislativas da história da Autoridade Nacional Palestina (ANP).O nome dele na posição privilegiada da lista da legenda foi a solução encontrada para evitar um racha entre a "velha guarda", formada por diversos políticos que viveram o exílio com Yasser Arafat, e os jovens reformistas que, majoritariamente, nasceram e passaram grande parte de suas vidas nos territórios palestinos."Qualquer primeiro-ministro que venha a ser eleito, se não for Marwan, precisará antes de seu consentimento", disse o parlamentar palestino Qadura Farez, da ala progressista do Fatah. Na sexta-feira passada, Abbas, presidente da ANP, prometeu entregar o poder executivo ao partido que vencer as eleições. Barghouthui, entretanto, teria sérias dificuldades para governar porque cumpre penas de prisão perpétua em Israel. Opinião decisiva - Mesmo assim, segundo Farez, amigo íntimo do líder preso, não há dúvida de que a opinião de Barghouthi será decisiva. "Pode ser, inclusive, que elejamos Marwan como primeiro-ministro e, ao mesmo tempo, um vice-primeiro-ministro para que faça, por ele, o trabalho de fora da prisão", afirmou.Barghouthi, de 47 anos e casado, foi detido por Israel em 2002 como líder das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, grupo armado ligado ao Fatah. Sua assinatura aparece em dezenas de documentos enviados a Arafat, pedindo dinheiro para milicianos e parentes de terroristas suicidas.Um tribunal civil israelense o condenou a cinco prisões perpétua, mas funcionários do governo israelense admitem que ele não cumprirá essa pena pois, em algum momento, terá que ser libertado, provavelmente dentro de um acordo de paz.Enquanto isso, Barghouthi faz campanha da prisão, na cidade de Be´er Sheva, no sul de Israel, e conversa por telefone com outros líderes políticos palestinos, entre eles Farez, que também pertence à "nova guarda" do Fatah. As últimas pesquisas apontam uma leve vantagem de entre 2 e 7 pontos para o Fatah sobre seu principal adversário, o movimento islâmico radical Hamas.Tanto o presidente Abbas como Farez defendem a formação de um governo de união nacional após o pleito. "Os palestinos desejam que todas as facções estejam no governo, e não apenas no Hamas, porque a situação requer que todas as facções sejam responsáveis e dividam conosco o peso do governo", afirmou Farez.

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