Líder pró-Pequim exige fim de ato em Hong Kong

Líder pró-Pequim exige fim de ato em Hong Kong

Manifestantes rejeitam ordem de chefe executivo de voltar para casa 'imediatamente' e prometem ampliar campanha pró-democracia

HONG KONG , O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2014 | 02h04

O chefe executivo de Hong Kong, Leung Chun Ying, designado por Pequim, pediu ontem aos líderes dos protestos pró-democracia que se desmobilizassem e voltassem para suas casas "imediatamente". Em resposta, eles prometeram ocupar prédios do governo e ampliar as demonstrações no território chinês semiautônomo hoje, Dia Nacional da República Popular da China.

A data, aniversário da fundação do Partido Comunista, é o início de um feriado de dois dias e há a expectativa de que muitos moradores de Hong Kong usem o tempo livre para aderir ao movimento, que se intensificou desde a noite de sexta-feira.

Ontem, milhares de manifestantes ampliaram um bloqueio nas ruas de Hong Kong, estocando suprimentos e erguendo barricadas antes de uma possível repressão policial para liberar as vias antes do feriado.

Líderes do movimento haviam dado a Leung um ultimato para conversar com os manifestantes, ameaçando uma escalada das ações nos próximos dias. O líder rejeitou a exigência e pediu a um dos principais grupos organizadores dos protestos, o Occupy Central, para pôr fim às demonstrações.

Foi a primeira declaração de Leung desde que a polícia de Hong Kong usou gás de pimenta e lacrimogêneo contra os manifestantes.

"Os fundadores do Occupy Central têm dito repetidamente que se o movimento saísse de controle, eles pediriam o seu fim", alertou Leung. "Estou agora pedindo a eles que cumpram a promessa que fizeram à sociedade e parem com essa campanha imediatamente."

Refutando a declaração, um dos dirigentes da Federação de Estudantes de Hong Kong, Chow Wing Hong, disse que os protestos cresceriam nas ruas da cidade a partir de amanhã. Ele fez um discurso ao lado de Chan Kin Man, cofundador do Occupy Central. "Continuaremos nossa resistência pacífica", declarou Man.

Os dois voltaram a pedir a renúncia de Leung e a realização de eleições para o novo líder da cidade, em 2017, plenamente democráticas. Há um mês, o governo chinês disse que teria o direito de vetar candidatos que desejassem concorrer para o cargo.

A tropa de choque usou spray de pimenta e gás lacrimogêneo contra os manifestantes no fim de semana, mas até a noite de ontem (horário local) os agentes haviam quase completamente se retirado do distrito central de Admiralty, exceto na área onde está a sede do governo.

Privilégios. Leung disse que os protestos não fariam Pequim recuar e ressaltou que a polícia de Hong Kong era capaz de manter a segurança sem a ajuda de tropas do Exército chinês. A China governa Hong Kong sob a fórmula "um país, dois sistemas", que garante à ex-colônia britânica um grau de autonomia e liberdades que não são desfrutadas na China continental.

Os protestos estarão na agenda do encontro de hoje entre o secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, em Washington. O EUA já declararam apoio aos manifestantes. / NYT, REUTERS e AFP

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