Líder pró-Taleban oferece abrigo a Bin Laden no Paquistão

Um líder tribal pró-Taleban, que recebe apoio do Exército paquistanês na campanha para expulsar das áreas tribais os combatentes ligados à Al-Qaeda, afirmou nesta sexta-feira, 20, que daria abrigo para Osama bin Laden. O mulá Nazir disse que nunca tinha se encontrado com o líder da rede terrorista, mas que estava disposto a protegê-lo na região tribal do Waziristão do Sul, perto da fronteira do Afeganistão, em nome do "povo oprimido". "Se ele aparecer aqui e quiser viver segundo as tradições tribais, então podemos protegê-lo porque damos apoio ao povo oprimido", afirmou Nazir a jornalistas, na cidade de Wana, a principal do Waziristão do Sul. O paradeiro do homem mais procurado do mundo, cuja morte ou captura vale uma recompensa de US$ 25 milhões, continua a ser um mistério desde os ataques realizados pela Al-Qaeda em 11 de setembro de 2001 contra os EUA. Acredita-se que o líder da rede militante esteja escondido em algum lugar das áreas tribais localizadas na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão. Morte O fato de Bin Laden não aparecer há tempos alimentou boatos sobre a possibilidade de ele estar morto. Mas muitos integrantes da comunidade internacional de inteligência acreditam que os sites islâmicos circulariam a notícia da morte dele caso fosse verdade. A gravação de vídeo mais recente em que o líder da Al-Qaeda aparece é do final de 2004 -- as imagens divulgadas posteriormente seriam antigas -- e cerca de seis gravações de áudio supostamente feitas por Bin Laden vieram a público na primeira metade de 2006. Depois da vitória das forças lideradas pelos EUA contra o Taleban, no Afeganistão, em 2001, militantes islâmicos receberam abrigo de tribos pashtun que vivem na região de fronteira. Mas as relações entre esses grupos viram-se abaladas depois de os integrantes das tribos, com o apoio tácito dos militares paquistaneses, terem se voltado contra os militantes em março porque estes teriam tentado matar um líder ancião de uma das tribos. Cerca de 300 militantes estrangeiros e até 40 combatentes de tribos, liderados pelo mulá Nazir e aliados do Exército, foram mortos em conflitos ocorridos nas últimas semanas. Nazir, 32 anos, casado e pai de um filho e uma filha, ofereceu anistia aos estrangeiros e a seus aliados locais caso se rendam.

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