Líder promete ajuda às iniciativas democráticas

Obama diz que anistiará US$ 1 bilhão da dívida do Egito e liberará empréstimo ao país; presidente faz alerta a Síria, Iêmen, Bahrein e Irã

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Condenando duramente a repressão de regimes como o sírio e o líbio e celebrando as manifestações dos últimos meses no Oriente Médio e Norte da África, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou, em discurso para o mundo árabe, um apoio político e financeiro às iniciativas democráticas da região e à modernização econômica do Egito, da Tunísia e de outros países que realizarem reformas.

Ao longo de seu discurso, feito dois anos depois de se dirigir ao mundo islâmico no Cairo, Obama também procurou distinguir o terrorismo e Osama bin Laden dos levantes árabes, afirmando que estes movimentos começaram após um jovem tunisiano imolar-se para protestar contra o regime.

Em um recado a Bashar Assad, Obama disse que o líder sírio deve escolher entre "comandar uma transição para a democracia ou deixar o poder". O presidente também criticou o presidente do Iêmen, Abdullah Ali Saleh, que reluta em abandonar o cargo. Até mesmo a monarquia Al-Khalifa do Bahrein, aliada dos Estados Unidos, foi advertida a conter a repressão aos opositores.

"A história desta revolução (da Tunísia) e das que se seguiram não deveriam ser uma surpresa. As nações do Oriente Médio conquistaram suas independências há muito tempo, mas, em muitos lugares, o povo, não. Em muitos países, o poder ficou concentrado nas mãos de poucos", afirmou Obama.

Diversos países foram citados especificamente, até mesmo o Irã, que não é árabe, mas persa. Segundo Obama, o Irã se mostra hipócrita "ao defender os direitos dos manifestantes no exterior ao mesmo tempo que reprime seu povo". Teerã também estaria, segundo o presidente, por trás das táticas de repressão na Síria, além de "tentar tirar proveito da tensão no Bahrein".

A maior parte dos protestos neste país do Golfo é da maioria xiita, apoiada pelos iranianos, contra a monarquia sunita. Depois de ser criticado por não se manifestar sobre a violenta repressão em Bahrein, o presidente defendeu o diálogo da monarquia com a oposição, ressaltando, em um endurecimento de sua posição, que essas negociações "não poderão ocorrer enquanto os opositores estiverem detidos".

Obama afirmou ainda ser necessário combater as divisões sectárias e defender os direitos das mulheres. Mas, ao longo de todo o discurso, o presidente não citou a Arábia Saudita. O país, segundo organizações de direitos humanos, é um dos que mais reprime as outras religiões.

Para o presidente, o processo de transição para a democracia será diferente de país para país. Segundo Obama, o Banco Mundial e o FMI apresentarão um plano para modernizar as economias do Egito e da Tunísia em reunião do G-8 na próxima semana. Ele disse que anistiará US$ 1 bilhão da dívida egípcia e prometeu um empréstimo no mesmo valor para que o país invista em seu desenvolvimento.

 

 

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