Líder quer que Lula convença Teerã a abandonar seu programa nuclear

O presidente dos EUA, Barack Obama, quer que o Brasil use seu bom relacionamento com o Irã para ajudar a convencer os iranianos a suspender seu programa nuclear, disse ontem o porta-voz do governo americano, Robert Gibbs. Segundo ele, a Casa Branca vê o Brasil como um exemplo para a causa do desarmamento nuclear. Denis McDonough, assessor de segurança nacional dos EUA, disse que um dos principais motivos que levaram Obama a pedir uma reunião com o presidente Luíz Inácio Lula da Silva foi a posição do Brasil na questão nuclear e o bom exemplo que o País representa para nações islâmicas, como o Irã. "Lula é líder de um país que, por vontade própria, abriu mão de um programa nuclear militar e decidiu desenvolver apenas um programa civil, de fins pacíficos", disse McDonough ontem em Áquila, na Itália, durante o encontro do G-8. Gibbs afirmou que o Irã foi um dos principais temas da reunião entre Lula e Obama. Segundo o porta-voz, Obama disse a Lula que o relacionamento brasileiro com o Irã dá ao País "uma oportunidade única de reiterar a mensagem do G-8 sobre a responsabilidade do Irã com a comunidade internacional". Obama disse que Brasil e Irã "têm um relacionamento comercial próximo" e o Brasil concorda coma a ideia "de que o poder nuclear deve ser usado apenas para fins pacíficos. "Por causa da proximidade comercial entre Brasil e Irã, Lula pode causar um impacto positivo ao reiterar as responsabilidades do governo iraniano", disse Gibbs.Obama foi criticado ontem por ter apertado a mão do ditador líbio, Muamar Kadafi, durante jantar do G-8, assim como foi atacado por cumprimentar o venezuelano Hugo Chávez na Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago. Alheio às críticas, o americano anunciou que realizará, em março de 2010, em Washington, uma cúpula sobre desarmamento nuclear. Há especulações sobre quem estará na lista das entre 25 e 30 nações convidadas.

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