Líder rebelde ameaça atacar soldados da ONU no Congo

Ex-general exige que forças de paz deixem cidade estratégica para ocupação; tropas do governo já saíram

Agência Estado e Associated Press,

30 de outubro de 2008 | 11h10

O líder dos rebeldes congoleses, o general destituído Laurent Nkunda, advertiu as forças das Nações Unidas que bloqueiam a passagem para a cidade de Goma, no leste do Congo. Segundo Nkunda, caso os mantenedores de paz fiquem no caminho para impedir a tomada da cidade, os rebeldes abrirão fogo.   Veja também: Histórico dos conflitos armados no Congo   Cerca de 800 capacetes azuis eram o único obstáculo para que os rebeldes tomassem a estratégica cidade, capital provincial. Na quarta-feira, as tropas do governo deixaram a região. Além disso, milhares de civis precisaram deixar suas casas por causa da violência. O líder dos rebeldes disse que respeitaria a força da ONU, "mas se eles atirarem em nós, eles são soldados, nós teremos que nos defender". "Eles (capacetes azuis) são incapazes de dar segurança ao povo de Goma, então não podem me impedir de ir para lá."   As forças de Nkunda declararam um cessar-fogo unilateral na quarta-feira, após helicópteros da ONU conseguirem parar os rebeldes a 20 quilômetros de Goma. As forças da ONU impediram que dezenas de milhares de pessoas que fugiram de suas casas entrassem em Goma.   Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), 45 mil pessoas deixaram um campo de refugiados nas proximidades da cidade na quarta-feira, em pânico por causa da retirada dos soldados locais. A ONU tenta deslocar tropas de outras regiões para o leste do Congo.   Na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, disse apoiar o envio de 1.500 soldados da União Européia para o Congo. O presidente do Congo, Joseph Kabila, pediu uma "força multinacional" para auxiliar as tropas da ONU. Nkunda comanda uma rebelião tutsi no leste congolês. Ele argumenta que o governo não faz o suficiente para proteger a minoria tutsi. O general rebelde disse que quer negociar diretamente com o governo e se opõe a um acordo de US$ 5 bilhões com a China, para a exploração das riquezas minerais da região.   Histórico O início do atual conflito no Congo se remonta a 1998, quando os rebeldes banyamulenges - tutsis de origem ruandesa - levantaram-se contra o governo de Laurent Kabila, quem tinha chegado ao poder em meados de 1997, apoiado pelos próprios tutsis. Desde então, o conflito entre os rebeldes do CNPD e os soldados congoleses não cessou, embora a situação tivesse se acalmado depois que Nkunda e o atual presidente, Joseph Kabila, assinassem um acordo de paz, em 23 de janeiro.   Em 10 de outubro, porém, Kabila exortou publicamente os congoleses a se mobilizarem "para apoiar as tropas e o governo e preservar a unidade e a paz de nosso país", enquanto Nkunda chamou os cidadãos a se levantarem "contra um governo que traiu seu povo."   Mais de 5,4 milhões de pessoas morreram na RDC por causa do conflito, no qual os governos de Kinshasa, Campala e Kigali se acusam mutuamente de apoiar os grupos rebeldes que atuam em seus países. Em um relatório divulgado no início deste ano em Kinshasa, pouco após a assinatura do último tratado de paz, a organização humanitária International Rescue Committee assinalou que os conflitos e as crises humanitárias continuam causando uma média de 45 mil no país a cada mês.   "Em termos de número de mortos, o conflito congolês e suas conseqüências ultrapassam qualquer outro desde a Segunda Guerra Mundial", indicava o documento.

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